Especial Venda Nova do Imigrante: A evolução do turismo em 31 anos da Emancipação Cultural e Turística

Com aproximadamente 25 mil habitantes, a cidade de Venda Nova do Imigrante, região serrana do Estado, é conhecida como a capital nacional do Agroturismo. O título foi dado ao município em 2005, pela a Associação Brasileira de Produtores Rurais. A cidade é cercada por montanhas e está repleta de atrativos, e um dos principais é a hospitalidade que os donos das propriedades rurais recebem os turistas.

Neste feste final de semana, o município comemora os 31 anos de Emancipação Cultural e Turística da cidade. Festa essa que além das atrações musicais nacionais, também retrata a cultura e a identidade dos moradores, que carregam um legado histórico dos imigrantes italianos, responsáveis pela colonização da região.

Antes da sua emancipação do município de Conceição do Castelo em 1988, de acordo com o secretário de Turismo, Cultura e Artesanato da cidade, Jorge Uliana, famílias já se organizavam para fomentar o agroturismo na região. Segundo ele, cerca de três famílias viviam da produção de café, queijo, socol, massas, biscoitos, antepastos, doces e compotas, além também do artesanato e recebiam turistas que desejam conhecer um pouco mais da cultura dos imigrantes.

“Com a emancipação, a cidade organizou sua base para receber visitantes. Fizemos um trabalho de capacitação das famílias produtoras, em parceria com o Governo do Estado e o Sebrae, para que elas aumentassem a qualidade dos seus produtos, assim como o acolhimento dos turistas que visitam a cidade. Lá no início eram apenas três famílias que recebiam visitantes, hoje o circuito do agroturismo da cidade já conta com mais de 50 produtores familiares”, enfatizou Uliana.

Para manter o título de Capital Nacional do Agroturismo e agregar valor aos produtos produzidos na região, o secretário deixa claro que a chave será continuar investindo na infraestrutura local.

“Uma cidade bem estruturada encanta não só quem vive na região, mas também quem vem nos visitar. Os turistas acabam voltando pela hospitalidade e a organização que existe aqui. A festa vai ter muitas atrações musicais, mas mais do que isso, ela envolve várias vertentes da nossa cultura”, acrescentou o secretário.

Para o prefeito, Braz Delpupo, que participou efetivamente do processo de emancipação do município, a comemoração da data representa a união e a dedicação de todos para reservar o legado histórico deixado pelos os imigrantes, em sua maioria composta por italianos.

“O que nós construímos diariamente é um município cada vez melhor para se viver. Eu não acredito que tenha um outro lugar como este, onde tudo funciona e isso é o resultado da parceria da sociedade civil e o poder público. É um orgulho não só como gestor, mas também de residente do município há mais de 20 anos em ver o crescimento da região”, disse o prefeito.

História
Prestes a completar 31 anos desde sua criação, o município de Venda Nova do Imigrante, região Serrana do Estado, possui uma área de 188,9 km2, compreendendo, além da sede, os distritos de São João de Viçosa e Alto Caxixe além de outras 12 comunidades.
Sua principal economia é a agricultura, principalmente o plantio do café, que compreende 90% das propriedades, além da produção de hortifrutigranjeiros e uma pecuária ascendente.

O município é conhecido em todo o país como o berço do Agroturismo e foi reconhecido como Capital Nacional do setor pela Abratur em 1993, o Agroturismo no município hoje envolve 70 propriedades, com 300 famílias e 1.500 pessoas diretamente atuantes, com destaque para a confecção artesanal e caseira de produtos típicos, principalmente na culinária (embutidos como o socol, doces, geléias, licores, biscoitos, etc).

Colonização
Venda Nova começou a ser colonizada por volta de 1892, basicamente por imigrantes italianos, cuja cultura permanece viva em seus descendentes e na vida da comunidade vendanovense. No entanto bem antes a região era habitada por índios, provavelmente Puris, dos quais foram encontrados muitos objetos pela primeira leva de imigrantes que aqui chegaram.

Antes da colonização italiana, grandes fazendas de café de propriedade dos portugueses floresceram no altiplano serrano, onde mais tarde nasceria Venda Nova. Entre as fazendas destacam-se: Providência, Lavrinhas, Tapera, Bananeiras, Bicuíba e Viçosinha. Junto com os portugueses vieram os negros escravos, que lidavam na lavoura. Contudo, com a abolição da escravatura, essas fazendas caíram no abandono até que surgissem os colonos, imigrantes italianos, originários da Região do Vêneto (Itália), atraídos pela procura de terras nas localidades de São Pedro do Araguaia, Matilde, São Martinho e Carolina, sendo inicialmente cerca de 18 a 20 famílias, entre elas: Perim, Caliman, Zandonadi, Altoé, Bragato, Venturim, Falcheto, Brioschi, Sossai, Carnielli, Cola, Minetti, Lorenzoni, Delpupo, Tonolli, Ambrozim, Scabello, Mazzoco, Fioreze e Mascarello.

A comunidade que surgiu com a chegada dos primeiros imigrantes em 1892, conserva traços fortes da cultura dos mesmos, principalmente o espírito comunitário e progressista, manifestados em 1922 com a construção da primeira escola, a instalação da linha telefônica em 1925, a criação da Cooperativa Agrária de Lavrinhas (1927) ou mesmo a construção dos primeiros 20 km de estrada em regime de mutirão. Venda Nova se expandiu mantendo sua identidade sem maiores afluências de estranhos, até que se viu “rasgada” pela BR 262 (Rodovia Presidente Costa e Silva), nos idos de 1957, experimentando um crescimento extraordinário, graças ao impulso dado com a ligação com grandes centros, como Vitória e Belo Horizonte.