Dia Mundial do Meio Ambiente: “Agrotóxico é um assunto polêmico”, diz presidente do Idaf

No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado nesta quarta-feira (5), o diretor- presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), Mário Stella Cassa Louzada, fala sobre os desafios, desenvolvimento sustentável e sobre os empenhos sociais e econômicos para defender ações que visem o meio ambiente.

Segundo ele, o tema agrotóxico é um tema polêmico, mas é necessário ser debatido. “Em escala global, o mundo não produz alimentos suficientes com o uso de agrotóxicos para atender a toda demanda existente. Sem os agrotóxicos, essa defasagem seria ainda maior” explica.

O desenvolvimento sustentável de uma região reúne empenhos sociais e econômicos que requerem esforços do governo, empresários e população. Nesse sentido, quais ações empreendidas pelo Idaf o senhor destacaria?

Desde que assumi a presidência do Idaf, tenho me dedicado ao processo de humanização do órgão que, por sua função fiscalizatória, é erroneamente visto como um inimigo do produtor. O Idaf, através de sua Gerência de Recursos Humanos, tem trabalhado as relações interpessoais dos servidores, entendendo que a ação desses profissionais é a principal interface entre o Idaf e a sociedade. Buscamos também uma aproximação maior com o pequeno produtor, personagem cada vez mais importante para economia dos municípios. Os resultados dos trabalhos da nossa Gerência de Agroindústria de Pequeno Porte têm sido animadores, um reflexo do sucesso das equivalências (Siapp e Susaf/ES) disponibilizadas pelo Idaf, de forma exclusiva, a esses produtores. Outras ações têm sido desenvolvidas como a regularização de terras devolutas, além do crédito fundiário que só este ano deve beneficiar mais de 25 famílias.

Recentemente o senhor participou de uma reunião sobre a Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio Itapemirim, no sul do Estado.Quais as ações propostas nessa reunião e quais medidas estão sendo tomadas pelo Governo para se evitar uma nova crise hídrica como a que o Estado vivenciou em 2016?

Nos encontramos para deliberar sobre possíveis procedimentos a serem seguidos visando o aumento da disponibilidade de água para o consumo humano e para atender à demanda dos produtores daquela região. Estamos estudando as propostas levantadas buscando uma viabilidade de aplicação. Consenso, entre os participantes, a recuperação das áreas degradadas e o reflorestamento das áreas de Mata Atlântica serão, provavelmente, os primeiros passos a serem seguidos. Uma crise hídrica pode ser causada por diversos fatores, muitos deles alheios ao alcance do Estado. Estamos trabalhando para poder mitigar possíveis crises desse tipo, através de planos estratégicos, possibilitando a antecipação e resposta rápida do Governo do Estado ao problema. Importante lembrar que, além das instituições já citadas, também participaram da reunião o Idaf, o Incaper e a Agerh.

De um lado empresas e grandes produtores pressionam para uma maior flexibilização da comercialização de agrotóxicos, por outro lado, temos os ambientalistas que classificam como extremamente danosa a saúde e ao meio ambiente o uso cada vez maior desses defensivos. Existe um meio termo para essa discussão? Um uso seguro? E como o Governo do Estado tem se posicionado?

Agrotóxicos é sempre um assunto polêmico, mas não podemos desconsiderar o fato de que, em escala global, o mundo não produz alimentos suficientes com o uso de agrotóxicos para atender a toda demanda existente. Sem os agrotóxicos, essa defasagem seria ainda maior. Com o passar dos anos, novas técnicas foram desenvolvidas visando sanidade das lavouras, além de um maior controle sobre o uso de agrotóxicos. O Governo do Estado tem cumprido a sua parte, através do Idaf, no controle da comercialização e aplicação dessas substâncias no território capixaba, dentro do que determina a legislação vigente. No dia 30 de abril, foi publicado no Diário Oficial do Estado o Decreto no 4442-R que, além de atualizar a legislação vigente, institui a criação de uma ferramenta eletrônica que possibilitará o mapeamento das áreas de aplicação de agrotóxico e controle das Receitas Agrônomas (RAs), proporcionando uma maior agilidade da fiscalização em todo o Espírito Santo.