O burrinho Precioso e as exonerações em Vargem Alta

“Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que eu às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”. A frase do famoso poeta português Antonio Aleixo cabe até hoje como  uma luva no cenário das políticas mundial, brasileira e claro, a capixaba.

Pois não foi assim que fez o atual prefeito de Vargem Alta, João Altoé (PSDB), que já ganhou um prêmio em Brasília como melhor prefeito que até o burrinho Precioso ganhou? Os secretários municipais de Vargem Alta, na região Serrana, e afastados pela Justiça, na operação Quimera, do Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES), para serem investigados se faziam parte de uma organização criminosa naquele município, que operava fraudando a aquisição de serviços e peças para veículos e máquinas públicas, foram exonerados pelo prefeito João Chrisóstomo Altoé (PSDB).

Ao exonerar os secretários, João Altoé dá claros sinais de que virá candidato à reeleição ou será peça-chave neste jogo, embora para muitos tenha agido politicamente correto. Ou melhor: além de prefeito, exerceu o papel do Judiciário e percebeu, seja lá por qual motivo, que a situação dos três não é nada boa.

Dançaram ao som da caneta de Altoé Paulo Marcos Costa, secretário de Obras, Serviços Urbanos e Interior; Thiago Fassarella, secretário de Cultura, Esportes e Turismo; e a secretária Gladstyne Robles. Tudo isso conforme publicação no Diário Oficial do município na última quarta-feira (5).

Em um primeiro momento, todos aplaudiriam a intenção do prefeito, de dar mais clareza as ações da prefeitura. Embora tenha outra pitada intrigante de buscar novos aliados para o próximo pleito. Ao exonerar os três, João pousa de homem justo, honesto e sábio, diferentemente da impressão que passava em meio aos sucessivos escândalos que Operações do Ministério Público passaram ao eleitorado.

No mesmo Diário Oficial,  foram publicadas as nomeações dos secretários Deoclaciano Cardoso Souza Neto, o ‘Sininho’, para a pasta de Obras, Serviços Urbanos e Interior; Camila Maria Juffu Lorenzoni para a Secretaria de Assistência Social; e Joelma Fávero Martins para a pasta de Cultura, Turismo e Esportes. Nada a concluir dos nomes escoltados para as nomeações, mas profundamente intrigado não com as escolhas, mas com a rapidez das decisões tomadas.

Quimera, o nome da operação que colocou fogo na política local, é um monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente. Não tem nenhuma parte de um burrinho. Foi batizada assim por ser uma combinação heterogênea ou incongruente de elementos diversos, tal qual as falcatruas apuradas pelo MP na Prefeitura de Vargem Alta.

Se o prefeito assim agiu para dar por encerrados os efeitos colaterais desta operação em sua gestão, está muito enganado. Há elementos que podem falar mais do que deviam, menos do que poderiam, enfim tudo que sabem e azedar ainda mais a gestão de Altoé. Sim, estão agora enraivecidos. E quanto maior for a raiva, mais fatos virão à tona.

Havia toda uma sorte de medidas que poderiam ser colocadas em prática como a criação de uma CPI, ou algo assim, pelo Legislativo para provar que a prefeitura nada tem a dever. Mas não! Houve, por medo ou corporativismo, uma pressão para que a CPI não fosse à frente.

Enquanto isso não acontece, o nosso prefeito age politicamente corretíssimo para não ficar de mal com a população. Só que a nosso ver, lançou-se candidato a Prefeito, mais uma vez. Quem sabe não almejando o bicampeonato daquele prêmio nacional em que o burrinho Precioso também foi agraciado? Votos, ele quer; parece que reprisar o prêmio, também.