Disseminação de notícias falsas prejudica a saúde mental

Matéria Especial/ Arte: Thiago Couto/ Hoje ES

Ansiedade, estresse, preocupação, e agressividade são alguns dos sentimentos e sintomas facilmente identificados em comentários de notícias, nas redes sociais, em grupos do whatsapp e até em rodas de conversas nas mesas de bares.

Para especialistas, a causa do afloramento em maior escala destes sentimentos se dá principalmente pela disseminação de notícias falsas, as conhecidas Fake News, já acentuada no país e que ganhou combustível na corrida eleitoral para a presidência, no ano passado.

“A polarização de notícias falsas está abalando emocionalmente as pessoas além do que deveria. Qualquer ser humano pode ser abalado em sua estrutura psíquica quando é obrigado a passar por situações de alto stress negativo, como é o caso da polarização de opiniões políticas, pois a pessoa se vê obrigada a defender uma opinião ou a escolher um lado dos polos”, explica a psicóloga clínica e psicanalista Cristiane Palma.

Além do abalo psíquico, a psicóloga explica ainda que algumas pessoas podem ser abaladas em maior intensidade do que outras, como por exemplo, as pessoas com depressão podem piorar os sintomas, devido à fragilidade da autoconfiança e da ausência de força emocional para enfrentar o stress vindo da realidade externa.

“A sugestão é que as pessoas evitem as discussões com pessoas mais próximas, na tentativa de convencer o outro sobre a “verdade” do seu polo escolhido. O melhor é procurar se respeitar, mantendo o equilíbrio e a paz interior”, acrescenta Cristiane.

Bombardeio de notícias

Além da disseminação de informação falsa, uma outra questão também é apontada como um fator que pode trazer riscos à saúde mental das pessoas: Consumir informação em excesso.

A psicóloga Thayze Espíndola exemplifica que que há 20 anos atrás as notícias chegavam na porta da sua casa. Hoje temos a informação está na palma da mão, segundo a segundo, em qualquer lugar.

“Existe um bombardeio de notícias, que contribui para a comunicação, mas também cresce o número de pessoas com doenças mentais. Disseminar uma informação falsa ou não pode gerar tensões, angústias, euforias inimagináveis. As pessoas são contagiadas e contaminadas em qualquer parte do mundo, por notícias que podem deixar feliz e ou desanimado ao mesmo tempo”, explica a especialista.

Ela acrescenta que o isolamento social também é um sintoma da polarização de notícias.“Quando se tem informação sem sair de casa e sem precisar dialogar com o outro, as pessoas se fecham num mundo só delas, com uma tela na frente dos olhos e mais nada. O que isso pode causar? Baixa auto-estima, depreciação, rejeição do próprio corpo, acidentes de trânsito, insônia e depressão”, acrescenta Thayze.

Foi o que aconteceu com personal organizer, Sônia Santos Bromerschekel, 40, que além de ter sido vítima de uma notícia falsa, também se viu bombardeada com um grande número de informações diariamente.

“Chegou um ponto em que eu não queria mais sair de casa, tive síndrome do pânico. Eu sentia medo de tudo e todas e dormir se tornou algo insuportável. Eu via todos os noticiários policiais, além de ter o tempo todo no meu celular notificações a todo instante. Tive que procurar ajuda”, conta a personal.

Uma das formas de se proteger para não ser afetado é saber fazer uma triagem das notícias que são relevantes e as que não são. É o que recomenda a psicóloga Thayze.

“É preciso saber triar as informações que chegam, ver apenas portais de notícias que você confia, não aceitar vídeos e notícias repassadas por pessoas que têm o costume de fazer alarde e disseminar notícias falsas”, conclui.