Prestigiem a política local!

Foi-se o tempo em que os políticos locais tinham prestígio. Eram idolatrados e colocados como exemplos de postura e dedicação a cada município e até região. Esta época passou. A política tornou-se um marketing de rótulos e de ídolos nacionais e federais. Em um mundo globalizado, parecem que só os extremos prevalecem. As pontas mais próximas com o poder. Com quem verdadeiramente manda e corrompe o municipalismo pela tediosa rotulação de quem está no lado de cima.

Hoje, ou se é de esquerda ou da direita. Parece não haver meio termo. O centrão ganhou conotação de indeciso; de vendável; e até de corrompido. Como se não bastasse, virou uma luta inglória entre partidários do Governo e os insatisfeitos. Isso tudo não é política. Não é democracia!

Vamos juntar os dois pontos. O exercício da democracia começa em casa. Depois, passa para a escola, igreja, clubes e assim sucessivamente. O problema é que quando passa para as eleições municipais não encontra mais lideranças. Elas se esgotaram ao longo do tempo. Transformaram-se em meros pedintes de favores a quem está no topo da escala hierárquica da cadeia política.

Lê-se mais ou menos assim: vou pedir para o vereador porque se quem decide verbas são os deputados? Vou pedir a um deputado estadual por que se quem decide se a verba de referência vem de um deputado federal? Ou seja: vereadores, prefeitos e secretários municipais deixaram de ser referência e passaram a ser apenas instrumentos de exercício de favores pessoais e locais. Referência política, agora, vem de cima para baixo.

Quer ver? Faça um simples exercício de raciocínio! Tente ver qual é o posicionamento político na esfera estadual, na federal e até mesmo na local de cada edil de sua cidade! Difícil chegarmos a uma conclusão. Cabe aqui um outro tipo de reflexão. Em vez de serem regidos pela linha política, parece que os vereadores agora estão trabalhando amarrados pelo dinheiro. Sobram ideias e faltam recursos. Verifique se os debates dos vereadores não se torna monocórdio em futuro do pretérito: poderia, queria, gostaria…. e nada é concreto. Determinado.

Sabe o que gerou isso? A falta de prestígio que se deu a quem exerce cargos do Legislativo Municipal. A falta de visão da administração democrática que deveria se ter no Brasil. Se o Legislativo quer, senhores prefeitos, é para fazer. É decisão do povo, afinal, o mesmo voto que elegeu o Alcaide da cidade foi o que escolheu o vereador.

Puxa vida! Se não há mais lideranças locais, que me dirá as estabelecidas em espelhos distantes como senadores, ministros e presidente, todos com os olhos voltados para outras realidades. Não se sabe corretamente se estamos agindo moldados pela Internet que vai da China a Cachoeiro em apenas um clic. Que coloca o Trump no mesmo patamar que o prefeito que lhe governa.

Democraticamente, estamos abertos a opiniões alheias, mas nos tornamos ferramenta somente de rotular os entes políticos. Saímos daquela regra básica: primeiro organize sua casa; depois sua rua; posteriormente, seu bairro; sua cidade.

Tem gente mais preocupada com Bolsonaro e Lula – uma analogia que não é mais válida – do que com o prefeito que lhe governa. Está mais interessado em rotular alguém do que ajudá-lo a melhorar a cidade. Se os líderes cascudos das políticas municipais não fizeram sucessores, devemos responder. Com sabedoria prestigiarmos quem cuida de nossa cidade, do lugar em que vivemos. Façamos a democracia crescente e correta prevalecer ou então estaremos fadados a viver bajulando quem é Estadual ou Federal.