Maioria dos analistas vê recessão técnica como improvável, apesar da queda da economia

Apesar dos dados decepcionantes da atividade econômica no período entre abril e junho, a maioria dos analistas trabalha com a estimativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter avançado no segundo trimestre, afastando assim o risco de entrada do Brasil em “uma recessão técnica”.

Na segunda-feira (12), o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de “prévia” do PIB, divulgado pelo Banco Central (BC), mostrou que a economia brasileira encolheu 0,13% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano.

Como o nível de atividade já havia recuado 0,2% nos três primeiros meses deste ano ante o último trimestre do ano passado, a economia brasileira pode ter entrado em uma “recessão técnica” – que se caracteriza por dois trimestres seguidos de tombo do PIB.

Embora o indicador do BC tenha ligado sinal de alerta, uma eventual retração da atividade no segundo trimestre está distante de ser um consenso entre economistas. Levantamento do G1 com 10 analistas mostra que houve revisões para baixo, mas que a maioria do mercado continua projetando um resultado acima de zero. Para o período de abril a junho, na comparação com o 1º trimestre, as estimativas vão de retração de 0,2% a crescimento de 0,5%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O IBC-Br, do Banco Central, porém, é somente um indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB – que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números oficiais do PIB do segundo trimestre serão divulgados em 29 de agosto.

Internamente, no segundo trimestre, a fraqueza da atividade ficou evidente em todos os setores: indústria, comércio e serviços. E, no setor externo, o Brasil teve de lidar com uma economia mundial em desaceleração e com a crise da Argentina, importante parceira comercial do Brasil, sobretudo no setor industrial.

“O primeiro semestre ficou bem aquém do esperado, como resultado da combinação de fatores externos e internos”, afirma a economista e sócia da consultoria da Tendências, Alessandra Ribeiro. “Os últimos números reforçam o PIB próximo de zero, pelos nossos cálculos, na casa de 0,1%.”

Mesmo com as projeções no azul, a decepção parece ter sido a marca de mais um trimestre da economia brasileira. Conforme os dados foram sendo divulgados, boa parte dos analistas teve de revisar para baixo a projeção para o desempenho da atividade no segundo trimestre.

O Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), por exemplo, mudou a previsão para o resultado do PIB no segundo trimestre para uma alta de 0,3%, ante estimativa anterior de expansão de 0,4%. “Considero muito baixa a probabilidade de PIB negativo no segundo trimestre”, afirma a economista e do Ibre/FGV, Silvia Matos.

Mais pessimista, o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, acredita que o PIB deve ter recuado 0,2% na comparação como primeiro trimestre. “Os dados do segundo trimestre confirmam a nossa decepção com a economia.”

Diferença entre pesquisas
Os analistas chamam a atenção para as diferenças metodológicas entre as pesquisas divulgadas e o resultado oficial do PIB para justificar a manutenção da expectativa de crescimento, mesmo com uma coleção de resultados ruins apurados entre abril e junho

“A pesquisa mensal de serviços do IBGE não é igual ao setor de serviços medido no PIB, é bem diferente. A gente se surpreendeu até positivamente, por exemplo, com os serviços prestados às famílias”, diz Silvia, do Ibre. A economista aponta também a recuperação da indústria da transformação, apesar do risco de mais um trimestre negativo para indústria geral.

“A extrativa pode vir até pior e a construção civil provavelmente vai ficar mais para o negativo, mas a transformação voltou a ficar no positivo depois de dois trimestres muito negativos e isso não deixa de ser algum sinal de alento diante de tanta informação negativa”, acrescenta.