Festival de Música sem Fronteiras celebra a diversidade entre o Popular, o Erudito e a World Music

Acontece de 01 a 03 de outubro, no Teatro Glória, a primeira edição do “Festival de Música sem Fronteiras”, uma realização da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames). Serão três dias de encontros musicais, reunindo artistas de várias vertentes, do Erudito à Música Popular, passando pelo Jazz, World Music, ritmos africanos, e música de câmara.

De acordo com o diretor da Fames, Fabiano Araújo, o objetivo do evento é quebrar paradigmas e mostrar, principalmente aos estudantes de Música, como as fusões podem ser interessantes e enriquecedoras. “Queremos celebrar a diversidade dos ritmos e formas musicais de várias localidades do mundo e de épocas diferentes, e evidenciar como esses elementos foram e continuam sendo combinados na criação de músicas inovadoras”, explica Araújo.

O Festival de Música sem Fronteiras terá a participação de artistas locais dividindo o palco com atrações de outras localidades, como o saxofonista, compositor, maestro e arranjador Letieres Leite (SP), o quarteto Quatro a Zero (SP) e o pianista norte-americano radicado no Brasil, Cliff Korman. Já o time capixaba conta com o Baobab Trio, o sexteto Orizzonti, a Banda Sinfônica da Fames e a Orquestra Sinfônica da Fames (Osfa).

O evento ainda conta com uma extensão pedagógica: o pianista Cliff Korman vai ministrar um workshop de piano para alunos da Fames, enquanto o grupo Quatro a Zero trabalha com a Orquestra Sinfônica da Fames no projeto “Radamés”, um trabalho de pesquisa e imersão musical em uma obra rara, escrita pelo maestro Radamés Gnatalli nos anos 70, que será executada em primeira mão durante o festival.

O maestro Letieres Leite, por meio do projeto “Orizzinti convida Letieres”, da Secretaria de Cultura (Secult), realiza o curso “Universo percussivo baiano”.

Confira a programação:

01 de outubro

Baobab Trio & Cliff Korman Trio

Baobab Trio – Fabiano Araújo (piano), Edu Szajnbrum (bateria e percussão) e Wanderson Lopes (violões).

O grupo tem como característica principal a fusão da Música Brasileira, desde o Samba e o Choro até a música de concerto de Radamés Gnattali e Villa Lobos, e outras linguagens e sonoridades das músicas do mundo (World Music), como a africana, indiana e música de concerto. Além de um repertório autoral, o grupo vai apresentar releituras de Radamés Gnattali e Antônio Carlos Jobim.

Repertório:

Toccata em Ritmo de Samba n.2 (Radamés Gnattali)

Arabesca (Wanderson Lopez)

Chovendo na Roseira (A. Carlos Jobim) 

Brasiliana n. 13 – Choro (Radamés Gnattali) 

Gaudi (Wanderson Lopez)

Cliff Korman Trio – Cliff Korman (piano), Augusto Mattoso (baixo), Marcio Bahia (bateria) 

Nesta apresentação o pianista Cliff Korman inclui composições próprios e leituras de alguns standards do jazz, música instrumental brasileira com um foco especial nas contribuições de compositores mineiros, além de um olhar especial para os Beatles. A formação do trio é um triângulo musical: os integrantes buscam uma sintonia para que as ideias e o tempo virem elementos da comunicação, improvisação e brincadeira. Nos melhores momentos, eles entram num verdadeiro “triálogo”. 

Repertório:

Guadaloupe (Paulo Moura)

Viola Violar (Milton Nascimento)

All the Things You Are (Jerome Kern) 

Norwegian Wood (Lennon-McCartney) 

Migrations (Cliff Korman)

Beijo Partido (Toninho Horta)

Saudade do Paulo (Cliff Korman) 

02 de outubro

Quatro a Zero & Orquestra Sinfônica da Fames (OSFA)

O quarteto paulista é especializado em tocar Choro e vai executar obra rara escrita pelo compositor Radamés Gnattali, acompanhado de orquestra.

Quatro a Zero – Lucas Casacio (bateria e percussão), Eduardo Lobo (guitarra, violão, cavaco e bandolin), Danilo Penteado (baixo elétrico e acústico e cavaco) e Daniel Muller (teclado, piano e acordeon)

O Quatro a Zero faz uma música instrumental que tem como principal referência o Choro, aprofundando-se na linguagem e nas sutilezas desta tradição musical. Ao mesmo tempo, realiza um alargamento das fronteiras deste gênero: de uma perspectiva contemporânea, promove o encontro do choro com outras linguagens, produzindo uma música original que transcende rótulos.

Fundada em 2010, a Orquestra Sinfônica da Fames (OSFA), tem como princípio a prática sistemática da música sinfônica para orquestra, proporcionando aos alunos prática e aprendizado do repertório orquestral ao longo do ano letivo.

O Quatro a Zero e a Osfa realizam desde o início do ano o “Projeto Radamés”, que consiste na pesquisa e imersão musical. O projeto reúne professores e alunos da Fames no estudo da obra “Concerto Carioca n. 3”, de Radamés Gnatalli, escrita nos anos de 1972-73, e também objeto de pesquisa do quarteto.

03 de outubro

Orizzonti & Letieres – participação especial: Banda Sinfônica da Fames

Show: “Orizzonti convida Letieres + Banda Sinfônica da Fames”, com arranjos escritos especialmente para esse encontro. Um repertório brasileiro e autoral.

Orizzonti – Wanderson Lopez (guitarra 8 cordas, arranjos e composições), Bruno Santos (trompete e arranjos), Daniel Freire (sax barítono), Rafael Rocha (trombone e arranjos), Renato Rocha (bateria), Roger Rocha (sax alto/soprano e flauta transversa) e Filipe Dias (contrabaixo acústico).

Criado a partir de pesquisas sonoras do músico Wanderson Lopes, o Orizzinti passeia pelo jazz moderno, música brasileira e impressionista.

Letieres Leite é saxofonista, compositor, maestro, arranjador e lidera a Orkestra Rumpilezz de Salvador. É definitivamente um expoente com uma linguagem musical diretamente conectada às matrizes africanas e ao jazz. Seu trabalho está́ ligado tanto à performance musical como também ao ensino de Música. É um músico representativo na consolidação e renovação do material musical brasileiro. Sua contribuição tem sido fundamental para a continuidade e abertura da cultura afro brasileira.

A Banda Sinfônica da Fames foi criada em 2007 e tornou-se um núcleo de excelência da música para sopros no Estado. Ao longo dos anos ocorreram ampliações no seu formato inicial e, atualmente, essa prática atende à grade curricular da Fames como disciplina obrigatória em oito períodos do curso de bacharelado para sopros e percussão.