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Praça Vermelha

A farmácia e os políticos

RAUL MARQUES As prateleiras de uma farmácia são recheadas de medicamentos, em embalagens das mais simples às mais rebuscadas. Cada um, classificado conforme sua ação e sua indicação. Tem caixinha simples sem qualquer tarja; tem as que levam uma especial tarja vermelha; e até os temidos tarja preta, que são os que provocam dependência. Pois […]

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RAUL MARQUES

As prateleiras de uma farmácia são recheadas de medicamentos, em embalagens das mais simples às mais rebuscadas. Cada um, classificado conforme sua ação e sua indicação. Tem caixinha simples sem qualquer tarja; tem as que levam uma especial tarja vermelha; e até os temidos tarja preta, que são os que provocam dependência.

Pois bem! A vida política mais lembra uma farmácia. Na comparação, os políticos, cada um a seu modo, são os medicamentos.  Depende de seu comportamento e, porque não assim dizer, de sua índole como ele seria rotulado. E até mesmo vendido. Tudo dentro dos padrões.

O remédio mais simples como as coristinas da vida e antigripais são aqueles que têm embalagens coloridas, prometem mundos e fundos para quem os deseja. São de fácil acesso, manuseio e não têm muita complexidade seus efeitos benéficos, se é que eles possam existir. Infelizmente, em sua maioria, são vendidos sem bula. Ou seja, o paciente – no caso, o eleitor – não sabe como os usar tampouco os efeitos colaterais mais comuns. O único efeito colateral conhecido amplamente é o da dengue… Taí uma grande semelhança. Assim como o remédio não pode ser usado em casos de dengue, este tipo de político também não. Quem já viu algum político se enfronhar na luta contra o animal que mais mata no planeta, o mosquito? Dengue nunca foi e nem será praça destes deputados, vereadores ou senadores.

Mais raro, mas também de efeitos desconhecidos, são aqueles fabricados pelos laboratórios de fundos de quintal que parecem não oferecer riscos. Além das farmácias, são vendidos em propagandas de televisão, daquelas que se você ligar agora vai ganhar um brinde. Coincidência ou não, quantos políticos de pequeno escalão o amigo não conhece, que prometem milhares de vantagens e depois de usados não dão o efeito prometido.

O tipo mais comum de candidato à política – sem falar dos xaropes, que não carecem de descrição; xarope é chato para caramba – é o que tem uma tarjinha vermelha em sua embalagem, indicando que venda é só sob prescrição médica. Hahahaha! Não. Basta pedir que você será atendido. Diferente dos outros, estes medicamentos para pressão alta, diabetes, estômago, labirintite etc vêm com bula. Ou seja, são candidatos que escrevem aquilo que falam e poderão ser  cobrados depois. O problema – eternamente o mesmo – é que ninguém lê suas indicações e efeitos colaterais, que podem ser bem mais graves. Boa parte destes medicamentos é de uso contínuo, o que significa que quem utilizar este elemento da política –o remédio, no caso- vai virar eternamente dependente. Um contrato de escravidão que mais se assemelha aos votos de cabresto. Votou uma vez; para sempre terá que votar nele ou em quem este indicar.

Na nossa comparação, há os tarja preta, que causam dependência química e costumam ter mais efeitos do que benefícios. Um Alprazolam da vida. São os políticos que abençoam nosso mundo jornalístico, nos brindando com notícias de um problema aqui, outro ali, uma CPIzinha, uma suspeita de fraude. Só podem ser vendidos com receita. E exigem até um cadastro seu para ganhar seu voto. Ora, quantos não fazem assim… Pedem seu voto, você mostra o que quer deles, e estes pedem um cadastro para guardar a zona em que você vota, o lugar em que você vive, enfim, uma ficha sua.

Vamos parar por aqui antes que eu acabe dando nomes aos remédios e dizendo qual político é o Luftal ou Lactopurga da vida. Por enquanto, sugerimos que batizem os seus conhecidos e valentes agentes da política com nomes dos remédios que você usa. A vida é mais engraçada para quem vota em medicamentos. E olha que não tomei ainda nenhum estimulante. Estou puro, como dizem. Que venham às eleições. Boas compras nas farmácias.

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Será que o Rei da Linguiça quer ser o novo Barão de Itapemirim?

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Por Tiago Turini

O nome Barão de Itapemirim que leva a rua onde hoje funciona a Câmara Municipal de Cachoeiro nunca fez tanto sentido. Um vereador declaradamente monarquista quer aprovar uma lei “nunca vista antes na história do município”. Uma super lei, valendo mais que determinações do Governo Federal e Estadual, criando uma espécie de império dentro da República, onde o que vale da porteira para dentro de Cachoeiro é o que ele aprova no Legislativo Municipal.

Talvez pela pouca idade e por ter crescido praticamente em um império, a empresa do seu pai, a Cofril, Juninho da Cofril, como é conhecido, talvez esteja sendo influenciado pela realidade em que viveu e viu até hoje, onde apenas o patrão manda e os funcionários obedecem. Juninho talvez precise entender que a lógica, agora, é inversa: o funcionário é ele e quem manda é o povo, além, é claro, de toda uma construção histórica de um regramento que acabou virando um mundaréu de leis, na qual, em seu ápice político hoje (23) na Câmara Municipal de Cachoeiro, durante um evento negacionista, transgrediu algumas dessas leis, cometendo crime contra a saúde pública, ao promover aglomeração em meio a uma pandemia. Será que o Ministério Público viu isso?

O que Juninho da Cofril propôs e levou quase todos os vereadores a embarcarem nessa furada, com a exceção do vereador professor Diogo Lube que se posicionou contra, é uma aberração legislativa. Mas como é marinheiro de primeira viagem e refuta ter assessoria de qualquer área, o erro é perdoável.

Juninho da Cofril quer criar uma lei onde, num cenário imaginário, por exemplo, em caso de uma outra pandemia no Brasil, nem mesmo o Governo Federal poderia determinar o que aconteceria em Cachoeiro. Ou seja, se amanhã o Brasil inteiro tiver que fechar o comércio, no Império Cachoeirano onde quem fabrica linguiça é rei, o comércio poderá funcionar normalmente, pois valerá o que diz a lei municipal proposta hoje, onde quem determina o que é essencial ou não no comércio será o Legislativo Municipal. É tão óbvio que não precisa ser nenhum Sérgio Moro para enxergar a inconstitucionalidade de tal Projeto de Lei.

Mais ainda

Juninho convocou empresários e trabalhadores para um protesto na porta da Câmara que, entre outras coisas, descumpriu todas as medidas sanitárias para enfrentamento do Coronavírus. E o povo que lá compareceu não sabia que se aglomerou à toa, porque a lei já nascia morta e nenhuma manifestação coletiva serviria de nada, até porque, falta uma semana, das duas impostas, para a quarentena acabar.

Talvez falte um pouco mais de Bolsonaro em Juninho da Cofril. Jogar para a plateia e fazer discursos vazios, acompanhados de políticas públicas ineficientes pode parecer fácil, mas, a exemplo do presidente, requer muitos anos de experiência.

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