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Saúde

Além do tédio: isolamento pode prejudicar desenvolvimento social de crianças

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Pixabay/soumen82hazra - Crianças podem emitir sinais sérios de estresse durante isolamento

 

 

Ansiedade, irritabilidade, e até queda na imunidade: engana-se quem pensa que as crianças, mesmo muito pequenas, não sofrem os impactos emocionais da pandemia de Covid-19.

Embora extremamente necessário para conter o avanço da doença – que já causou mais de 320 mil mortes no mundo inteiro – o isolamento social pode causar danos à saúde mental de qualquer pessoa, inclusive crianças.

“Na quarentena, as crianças estão mais suscetíveis ao que chamamos de ‘estresse tóxico’, que ocorre quando situações de adversidade causam um aumento fisiológico dos hormônios de estresse, como cortisol e adrenalina, causando sobrecarga do sistema cardiovascular e riscos a construção saudável da arquitetura cerebral das crianças”, explica a médica pediatra Isadora Rossi, da Cia da Consulta. Os sintomas estão associados ao ambiente de tensão e ao afastamento da escola.

De acordo com a profissional, “isso pode trazer consequências como alterações do sono, irritabilidade, medos, piora da imunidade e, a longo prazo, causar queda no rendimento escolar, transtornos de ansiedade e de depressão”.

A médica ainda destaca que as crianças podem sofrer o impacto em qualquer fase, mesmo quando ainda bebês. “Tenho atendido vários bebês, com cerca de um ano, que apresentam ‘mais carência’ de acordo com os pais. As queixas são sempre parecidas: crianças pedindo mais colo, mais atenção. Isso com certeza é reflexo da tensão gerada pela pandemia nos pais e percepção disso nos pequenos”, explica.

Impacto é diferente em cada fase da infância

Apesar de ser percebido em todas as idades, o impacto causado pelo isolamento social possui especificidades em cada fase da infância até a pré-adolescência. De acordo com o neurocirurgião e neurocientista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Fernando Gomes, “quanto mais novas, mais facilmente as crianças aprendem novos padrões de comportamento que pode acarretar em dificuldade de reintegração social no futuro”, ou seja, quando a orientação da quarentena passar.

Já no caso de crianças mais velhas, com idades entre 8 e 11 anos, o alerta é para comportamentos compulsivos, principalmente na alimentação. “Nos mais velhos, como pré-adolescentes, principalmente aqueles com obesidade e/ou ansiedade (normalmente esses quadros caminham juntos), o confinamento intensifica os sintomas ansiosos e ainda facilita o ganho de peso em excesso, por aumentar o consumo a alimentos industrializados e doces, tentando ‘aliviar’ a tensão do momento”, reforça Isadora Rossi, que também atrai atenção para hábitos como roer as unhas.

Outro ponto que merece atenção, de acordo com o ambos os profissionais, é a distância dos colegas e professores, que também pode ser sentida em todas as idades e prejudica, diretamente, as trocas sociais e leitura de experiências fundamentais na vida da criança. “É natural que as crianças fiquem mais irritadas, ansiosas e tristonhas pela falta de contato físico com os colegas de escola, principalmente os pré adolescentes”, reforça o neurocientista.

Como diminuir os riscos e melhorar o bem-estar das crianças durante o isolamento?

Para amenizar o desconforto e o estresse durante o isolamento social, os profissionais afirmam que o primeiro passo é falar sobre o assunto com as crianças que, assim como os adultos, merecem entender o que está acontecendo. Apesar disso, é importante destacar que o diálogo deve ser feito de uma forma compreensível para cada idade e com os devidos filtros de informações que possam gerar pânico .

“As crianças entendem, de acordo com a capacidade delas, tudo o que está acontecendo. Não estão indo para a escola, os pais estão trabalhando dentro de casa, os avós estão longe, todos na rua estão usando máscaras… assim, não falar sobre o assunto e “esconder” da criança não é uma opção saudável”, defende a pediatra.

“Uma boa ideia é perguntar sobre o assunto – assim você irá perceber o quanto ela compreende a situação, quais são suas dúvidas e como você pode esclarecê-las. É importante que as crianças tenham um espaço para expressar seus sentimentos, num ambiente acolhedor”, diz.

Além disso, a profissional de saúde orienta que os noticiários devem ser acompanhados em um ambiente em que, de preferência, a criança não esteja. Isso deve possibilitar que o adulto faça a filtragem sobre o que deve ou não ser repassado aos filhos.

O neurocientista Fernando Gomes ainda diz que o diálogo deve ser feito com a mesma clareza e sensibilidade com que assuntos relacionados à sexualidade são abordados. “Da mesma forma que se aborda a questão da sexualidade, cabe a orientadores, pais e responsáveis a explicar a situação do ponto de vista biológico sem exagerar nas preocupações e no lado negativo”, diz.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Cientistas pedem à OMS que reavalie transmissão da Covid-19 pelo ar

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Agência Brasil

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Pixabay/Tumisu

Cientistas apontam que contágio é possível pelo ar

Em uma carta aberta à Organização Mundial da Saúde (OMS), 239 cientistas de 32 países pedem à entidade que reconheça oficialmente o “potencial significativo” de propagação pelo ar do novo coronavírus . De acordo com o texto, a velocidades padrões do ar em ambientes fechados, uma gotícula contaminada pelo vírus é capaz de viajar “dezenas de metros”. Distância que, segundo o grupo, é muito maior em ambientes fechados e sem ventilação.

“Existe um potencial significativo de exposição por inalação a vírus em gotículas respiratórias microscópicas (microgotas) a curtas e médias distâncias (até vários metros, em ambientes fechados e sem ventilação), e defendemos a utilização de medidas preventivas para mitigar esta via aérea de transmissão”, diz o texto.

O grupo cita alguns estudos que apontam “sem qualquer dúvida” que os vírus são liberados durante a exalação, conversa e tosse em microgotas suficientemente pequenas para permanecerem no ar, representando risco de exposição a distâncias superiores a 2 metros (m) de um indivíduo infectado. Por este motivo, pedem que OMS revise os parâmetros de transmissão e cuidados para a prevenção de contágio do novo coronavírus.

De acordo com a carta, publicada na página da Sociedade de Doenças Infecciosas da América, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, em velocidades típicas de ambientes fechados, uma gota de 5 micrômetros [cada micrômetro equivale a 1 milionésimo de metro ou à milésima parte do milímetro] viajará dezenas de metros, distância muito maior do que em ambientes abertos, e se instalará a uma altura de 1,5 m do chão.

O texto lembra que organismos internacionais e nacionais concentram suas orientações na lavagem das mãos, na manutenção do distanciamento social de 2m e nas precauções contra as gotículas – procedimentos que, de acordo com o texto, são “apropriados, porém insuficientes para fornecer proteção contra microgotas respiratórias portadoras de vírus liberadas para o ar por pessoas infectadas”.

“Seguindo o princípio da precaução, temos de abordar todas as vias potencialmente importantes para retardar a propagação da covid-19”, acrescenta o grupo de cientistas ao listarem uma série de medidas que devem ser tomadas para evitar a transmissão por via aérea: “Na nossa avaliação coletiva existem provas mais do que suficientes para que o princípio da precaução seja aplicado. A fim de controlar a pandemia, enquanto se aguarda a disponibilidade de uma vacina, todas as vias de transmissão devem ser interrompidas”.

Medidas sugeridas

Entre as medidas sugeridas está a “ventilação suficiente e eficaz” de ambientes internos, por meio de ar exterior limpo, de forma a minimizar a recirculação, como equipamentos de ar-condicionado, “particularmente em edifícios públicos, ambientes de trabalho, escolas, hospitais, e lares de idosos”.

Os cientistas sugerem também trocar a ventilação de ar-condicionado, por exaustores e filtros de ar de alta eficiência, além de luzes ultravioleta germicidas.

Por fim, sugerem que se evite aglomeração de pessoas, particularmente em transportes públicos e edifícios públicos.

“Tais medidas são práticas e muitas vezes podem ser facilmente implementadas; muitas não são dispendiosas. Por exemplo, passos simples como a abertura de portas e janelas podem aumentar dramaticamente as taxas de fluxo de ar em muitos edifícios”, complementam os especialistas na carta aberta.

Os cientistas finalizam o documento com um alerta de que, ao implementarem as atuais recomendações de distanciamento de 2 m, as pessoas podem pensar que estão totalmente protegidas, quando, na realidade, “são necessárias intervenções aéreas adicionais para uma maior redução do risco de infecção”.

Este assunto é de grande importância no momento em que vários países estão reabrindo estabelecimentos comerciais e flexibilizando o isolamento social, com as pessoas voltando aos locais de trabalho e estudantes voltando às escolas, faculdades e universidades, alertam os cientistas.

Fonte: IG SAÚDE

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