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Opinião

Cachoeiro, entre o velho e o novo

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Novidades costumam assustar, ainda que sejam para o bem. São jeitos diferentes de abordar problemas e os vencer da maneira mais audaciosa possível. As inovações fogem dos padrões da política; da interminável forma de apenas protelar soluções para que o objeto, no caso, a cidade, assim se modifique. Isto está acontecendo em Cachoeiro de Itapemirim.

A cidade se transforma, aos poucos, lentamente, mas já é bem diferente daquela deixada pelo antigo para o atual prefeito, Victor Coelho do PSB. O jovem alcaide teve a missão destinada a ele de transformar a cidade, usando ferramentas comuns, mas inovadoras, adaptadas à realidade. Foi como se abusasse da criatividade na hora de gestar sua administração, entre as bandeiras erguidas e ainda veneradas pelos que vivem da política antiga. O moderno está derrubando tais símbolos de uma política derramada ao chão por inovações cuidadosas que colocam em duelo, mais uma vez, para as próximas eleições, o confronto entre a forma de gerenciar de anos passados e uma forma de administrar mais atual.

Vamos aos pontos. A começar pelo Transforma Cachoeiro, que determinou novas direções para muitas áreas da cidade anteriormente abandonadas. É um projeto que derrama de maneira cuidadosa os serviços sobre a população, com ares de desenvolvimento e de determinação do Poder Público em ser parceiro da população na solução de seus problemas. É como se remanejasse o local onde se buscam os serviços para perto da população, do cidadão, e assim o ensinasse a melhor maneira de usar tais serviços.

Perdeu-se tempo demais com a burocracia revoltante imposta pela distância entre o poder e o povo. Victor Coelho encurtou tal distância, só neste exemplo, deixando de lado a vaidade dos que pela Prefeitura estiveram e tinham a carência de serem procurados pelos cidadãos para resolverem seus problemas. Conquistou-se a operabilidade do sistema, encurtaram-se as distâncias e diminuíram-se os medalhões que viviam de lobbies ocultos – nem sempre eficientes – para quem precisava de um favor.

Diante deste quadro de inovações bem sucedidas, entre as quais o Transforma Cachoeiro, há um perigo iminente. De que suas ideias e ideais sejam cooptados pelas velhas raposas da política cachoeirense e se danifique em todos os aspectos.

É que o espírito do plano é deixar a velha forma de administrar de lado, bem distante das inovações, e que novos laços de estímulo entre Prefeitura e povo se solidifiquem de uma vez. Deixemos as críticas de lado, porque tudo que é novo é passível de erros. E de acertos.

Este é o dilema que Cachoeiro viverá em breve nas eleições municipais. O correr de uma nova forma de administrar e as velhas falcatruas entre os que já foram – e ainda querem ser – novamente os alcaides da cidade. O velho se aproxima do novo para tentar remoçar e volta a flertar com o Poder. Esperamos que o novo não se deixe encantar pela conversa fria de quem só almeja o poder para ostentá-lo.

 

 

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Chuvas no Espírito Santo

Medo da Chuva

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Aprendi a ter medo da chuva neste fim de semana. Para ser exato, nesta sexta-feira dia 17 de janeiro de 2020, quando vi a cidade em que moro ser literalmente destruída por uma tromba d´água de grandes proporções. Não sobrou nada. Nenhum comerciante ficou ileso às águas que rolavam pelo Rio Iconha e se esparramaram pelas ruas principais da cidade.

Carros boiavam e eram escorados pelo que aparecesse pela frente. Geladeiras e bujões de gás boiando nas águas que destruíram Iconha. O prédio que pertencia a um vereador caiu. Edifício de três andares que veio abaixo, no qual um bar funcionava no térreo. Sorte que ninguém se machucou gravemente.

Ainda à noite, pessoas em casas que não foram afetadas pelas chuvas abriam as portas de suas residências para quem não tinha onde ficar. A Igreja de Santo Antônio, Matriz da Cidade, abriu-se para a pequena turba de desavisados, desabrigados e desalojados que ficaram sem ter onde ficar. Ficaram ou não tinham. Foi um Deus no acuda.

Noite escura, sem agonia presente, mas com uma dor pela ansiedade do dia chegar a ver os estragos impulsionados pelas chuvas e pelo Rio Iconha. Silêncio que aumentou com a queda da luz, que só era quebrado pelo carro de Defesa Civil do município que tentava ir onde podia. Um Deus nos acuda silencioso, em meio às orações que partiam de gente dos mais diferentes credos.

A chuva para! O silêncio aumenta e o esqueleto de Iconha surge com o raiar do dia. Já não há mais uma ponte que liga um ledo da cidade a outro. Já não existem mais ruas viáveis para trafegar. Há lama por toda a parte. Escombros. Rastros de destruição e, infelizmente, algumas mortes. Todos estão atônitos.

Lágrimas. Gritos. Destaque para quem começou tudo do zero, gastou tudo que tinha na abertura de um negócio e agora vai ter que dar uma nova virada de vida, desta vez sem capital. Perdeu tudo. Em um canto da Rua Muniz Freire, depois do baque inicial, cidadãos tentam se planejar para dar início a limpar os escombros do fim. Máquinas aparecem de outras cidades, auxílios de outras defesas civis de outras cidades, mas a dor não para.

Lembro-me vagamente da música do Raul Seixas na qual ele fala que tem medo chuva; ou melhor, que ele perdeu o medo da chuva. A música é sobre casamento, uma metáfora belíssima. Mas se a história fosse levada ao pé da letra, o maluco beleza faz menção ao fato de que a chuva voltando pra terra traz coisas do ar. Raul, você errou. Na chuva, pedras não ficam imóveis no mesmo lugar– até caminhões foram carregados pelas águas da Brumadinho capixaba; na chuva, aprende-se o grande segredo da vida: ser solidário e reerguer tudo que as águas destruíram. Por uma nova Iconha, Amém!

 

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