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Cidades mais violentas do Brasil estão na Amazônia, diz levantamento

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Rio Javari, na cidade de Atalaia do Norte, palco das mortes de Bruno e Dom

Rio Javari, na cidade de Atalaia do Norte, palco das mortes de Bruno e Dom – Bruno Kelly/Amazônia Real – 28.06.2022

As 30 cidades mais violentas do Brasil têm taxas de assassinatos superiores a cem por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional está em 22,3 por 100 mil. Do total de municípios, 43% deles ficam na Amazônia, 63% são rurais e nenhum tem mais de 30 mil moradores. Os dados estão no 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na manhã desta terça-feira (28).

Ao contrário do Brasil, a letalidade tem crescido nas cidades rurais da Amazônia, cenário dos assassinatos recentes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Em especial naquelas sob pressão de crimes ambientais, como desmatamento, grilagem de terras e extração ilegal de minérios. Nos últimos anos, a chegada do crime organizado ligado ao narcotráfico sobrepôs uma nova camada de criminalidade às já existentes na floresta, e impulsionou a escalada de mortes.

“A Amazônia está completamente dominada pela violência extrema e pode ser vista como uma enorme tradução de tudo que tem dado errado no Brasil. Infelizmente, as mortes do Bruno e do Dom não foram fatos isolados”, afirmou Renato Sérgio de Lima, diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Quem tem dado o tom ali é o crime organizado, que tem funcionado como síndico da Amazônia. As facções de base prisional e, eventualmente, algumas milícias administram a vida das pessoas e a economia e controlam a ocupação do território.”

Para Lima, qualquer projeto de desenvolvimento desenhado para a região, seja conservador ou progressista, precisará passar pelo controle da violência. Se não houver um freio do crescimento das mortes, dificilmente se encontrará soluções de geração de emprego e renda para o território. Segundo ele, os órgãos ambientais de fiscalização e o aparato de segurança pública atuais não são suficientes para conter mais essas complexas cadeias criminosas que disputam entre si as rotas nacionais e transnacionais de drogas que cruzam a floresta.

Segundo o novo documento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o município São João do Jaguaribe, no Ceará, registrou a maior (224) da taxa média de mortes violentas intencionais (MVI) por 100 mil habitantes entre 2019 e 2020. Na sequência, aparecem Jacareacanga (199), no Pará; Aurelino Leal (144); na Bahia; Santa Luzia D’Oeste (139) e São Felipe D’Oeste (138), em Rondônia. Por mortes violentas intencionais, entende-se a soma das vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora.

A taxa média dos nove estados que compõem a Amazônia Legal é de 30,9 mortes violentas por 100 mil habitantes – 38,6% superior à média nacional, que foi de 22,3. Se fosse um país, a região seria a quarta nação mais violenta do planeta, atrás de Jamaica (45), Honduras (36) e África de Sul (33), de acordo com dados da UNODC, o escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

Crime organizado

Lima reforça que pelo menos 20 facções com base prisional atuam em território amazônico. O crime organizado explodiu na região depois que a organização criminosa paulista se fortaleceu no Paraguai, em meados de 2017, e passou a controlar parte do corredor que escoa a droga produzida em países andinos para o Brasil, Europa e África. Em busca de novas rotas, a facção carioca intensificou suas ações no Norte do país. A partir daí, novos bandos surgiram, e uma guerra local foi conflagrada.

Um dos pontos mais disputados pelo tráfico fica na cidade de Tabatinga, no oeste do Amazonas, na tríplice fronteira entre o Brasil, Colômbia e Peru. A região, próxima de onde o indigenista Bruno e o jornalista Dom foram assassinados, é hoje a segunda principal rota do narcotráfico do país, atrás apenas da sulmatogrossense Ponta Porã, na divisa com o Paraguai. Enquanto Tabatinga é dominada pela facção criminosa carioca, Ponta Porã é comandada pelo bando paulista.

“Em outras regiões do país, as disputas entre essas facções já se acomodaram. Ou alguém venceu, ou teve trégua, ou a polícia conseguiu controlar. Já na Amazônia, o conflito pelas rotas continua aberto. O crime organizado regulamenta quem pode estar num determinado território, mas não existe monopólio. Enquanto a facção carioca comanda Tabatinga, no restante ainda há muita disputa”, explicou Lima.

O estudo mostra que 13 dos 30 municípios com taxas médias superiores a cem por 100 mil habitantes estão localizados próximos ou ao lado de Terras Indígenas e de fronteiras com os países da Pan-Amazônia. Um deles é Japurá, no Amazonas, na fronteira da Colômbia e perto de Tabatinga. Os dados ressaltam que a mesma violência extrema das periferias das metrópoles atinge os pequenos municípios da Amazônia, marcados pela sobreposição de mortes com crimes ambientais.

Fonte: IG Nacional

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Advogada suspeita de atuar na fuga de Marcola vai a prisão domiciliar

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Advogada Kássia Regina Brianez, de 41 anos
Reprodução/redes sociais

Advogada Kássia Regina Brianez, de 41 anos

A advogada Kássia Regina Brianez Trulha de Assis, de 41 anos, presa suspeita de envolvimento em um plano de fuga para tentar resgatar Marco Willians Herbas Camacho – o Marcola – da Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), teve a prisão preventiva convertida para domiciliar, após alegar que precisa cuidar do filho com Transtorno de Espectro Autista (TEA). 

Na decisão, a Justiça Federal determinou que ela use tornozeleira eletrônica e só saia de casa em situação de emergência médica.

Kássia está no Presídio Militar de Campo Grande (MS) há seis dias. A decisão é desta segunda-feira, mas, segundo a defesa, até a noite desta terça ela ainda não tinha sido solta. A previsão é que ela vá para casa na quarta-feira.

Marcola é o líder da maior facção criminosa do Brasil, que atua dentro e fora dos presídios do país. Ele foi condenado a mais de 300 anos de prisão e está preso há mais de 20 anos. Desde março deste ano, cumpre pena na unidade de Rondônia.

Agora, aos 54 anos, conforme investigação da Polícia Federal, é acusado de reunir detentos e advogados para criar um plano de fuga da penitenciária, que acabou frustrado. A PF apontou que Kássia Regina fazia parte desse grupo, servindo como ponte de informação entre os presos com outros integrantes que estavam do lado de fora.

Em nota, a defesa da advogada afirma que houve uma confusão entre as atividades exercidas por ela e que a inocência dela será provada.

“A exigência de respeito às prerrogativas do advogado nada mais é que um direito previsto em lei, porém, sabe-se que a letra fria da lei não impede que ocorram situações prejudiciais ao advogado, tal como no caso concreto”, diz o advogado Juliano Rocha de Moraes.

Kássia foi presa durante a operação “Anjos da Guarda”, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira.

Após audiência de custódia, a Justiça concedeu o alvará de soltura, estabeleceu o uso da tornozeleira e autorizou saídas de casa apenas para eventuais emergências médicas dela e do filho, assim como para acompanhamento do filho nas consultas para tratamento do autismo, mediante comunicação dos endereços dos locais em que estas são realizadas.

“[…] Poderá, também, deixar a residência para atender aos chamados da Justiça e Polícia Federal, no interesse da investigação/instrução apresentando a devida ressalva/certidão”, diz trecho da decisão.

Operação Anjos da Guarda

Na operação, a PF cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e outros 13 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e no Distrito Federal. O objetivo da operação foi impedir o plano de resgate de líderes de um dos maiores grupos criminosos do país.

A polícia descobriu durante as investigações que os presos e outros suspeitos de envolvimento no plano mantinham uma rede de comunicação e se falavam por meio de mensagens, mediadas por advogados.

De acordo com a PF, os profissionais usavam códigos simulando questões jurídicas que não existiam, durante os atendimentos aos clientes.

Foram identificadas três estratégias para a fuga, incluindo invasão ao presídio por 100 homens armados e com bombas, além do sequestro de autoridades e parentes de presos para negociar a liberação de Marcola e outros líderes da facção e uma rebelião na penitenciária.

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Fonte: IG Nacional

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