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Corregedoria investiga promotora que atuou em caso de aborto negado

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Juíza negou aborto a criança vítima de estupro e tentou induzir mãe e filha durante audiência
Reprodução – 21/06/2022

Juíza negou aborto a criança vítima de estupro e tentou induzir mãe e filha durante audiência

A Corregedoria-Geral do Ministério Público de Santa Catarina (CGMP) informou que apura a atuação de membro do MP no caso da menina de 11 anos que foi estuprada em Santa Catarina e teve seu direito ao aborto previsto por lei negado.

Em nota pública, o CGMP informou que “ao tomar conhecimento dos fatos envolvendo uma menina vítima de estupro de vulnerável que teria tido negado o seu direito ao aborto legal, instaurou uma reclamação disciplinar para apurar a atuação do membro do Ministério Público que atua no caso”.

Segundo a mesma nota, o Corregedor-Geral do MPSC, Fábio Strecker Schmitt, também já iteria informado a Corregedoria Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre a investigação.

A nota do CGMP refere-se ao pedido da promotora Mirela Dutra Alberton, do MP catarinense para que a menina fosse enviada para um abrigo, onde está até hoje, impedida de ter acesso ao seu direito de aborto legal. Mais cedo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) dissse que iria apurar a conduta da juíza Joana Ribeiro Zimmer, que, em uma audiência na 1ª Vara Cível da Comarca de Tijucas (SC), tentou induzir a criança, então com dez anos, a seguir com a gravidez. A magistrada também deu uma decisão negando à menina o procedimento para interromper a gestação.

“Na apuração preliminar, a Corregedoria Nacional procede à avaliação das provas existentes, a fim de estabelecer se houve prática de infração disciplinar, o que determina a propositura de Processo Administrativo Disciplinar ou, em hipótese contrária, se as provas são frágeis ou insuficientes, pode acarretar o arquivamento do procedimento”, informou o CNJ.

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Prisão de Flordelis leva a fechamento da última igreja fundada por ela

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O pastor Anderson do Carmo com Flordelis
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O pastor Anderson do Carmo com Flordelis

A prisão da pastora e ex-deputada federal Flordelis dos Santos de Souza, em agosto do ano passado , fez com que a última das igrejas fundadas por ela — a unidade do Mutondo, em São Gonçalo — fechasse as portas. Antes do assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo, o Ministério Flordelis tinha, além da sede, cinco filiais, um novo templo sendo construído e milhares de seguidores. Após o crime, em junho de 2019 , as igrejas mergulharam em uma crise que chegou ao seu ápice quando Flordelis foi para trás das grades, acusada de ser mandante do crime.  Depois de dois adiamentos, seu julgamento foi marcado para dezembro. Ela nega participação na morte.

A morte de Anderson, principal administrador dos templos, foi o primeiro baque. Em seguida, a revelação de uma trama que tinha acontecido dentro da família levou embora não apenas fiéis, como pastores, alguns do próprio núcleo familiar, com importantes funções nas igrejas. Aos poucos, as filiais no Jardim Catarina, em São Gonçalo; Pendotiba e Piratininga, em Niterói; em Itaboraí e Itaipuaçu, em Maricá, foram encerrando as atividades. Por último, fechou a sede.

Com o fim dos cultos, os pastores migraram para outras igrejas em suas regiões de atuação ou fundaram novos templos, levando consigo parte dos fiéis que frequentavam o Ministério Flordelis. O último a fazer esse movimento foi Gerson da Conceição, o Gerson Baiano, considerado filho pela ex-deputada.

O pastor permaneceu no comando da sede do Mutondo até o seu encerramento, após a prisão da ex-deputada . Depois, abriu sua própria igreja, a Comunidade Evangélica Manassés, que fica a cerca de um quilômetro da antiga sede.

Integrantes da numerosa família — Flordelis tem mais de 50 filhos — chegaram a passar o ponto do Mutondo para outra igreja — a Assembleia de Deus Ministério Saracuruna. Também foi acordada a venda de todo o mobiliário do Ministério Flordelis, além de equipamentos. A nova igreja chegou a funcionar por algumas semanas, mas representantes do templo voltaram atrás e desistiram do negócio. Atualmente, no local, funciona uma fábrica de lajes.

Outro filho afetivo de Flordelis, Carlos Ubiraci contou com a ajuda da mulher para fundar uma nova igreja enquanto estava atrás das grades, também acusado de envolvimento na morte de Anderson. Até ser preso, em agosto de 2020, Carlos era o responsável pela filial de Piratininga. Ele também havia se tornado presidente do Ministério Flordelis. No fim daquele ano, rompeu com a pastora após a mulher e as filhas terem sido expulsas da casa da família.

Sem liderança

 Em setembro de 2021, foi fundado o Ministério Yeshua, em Piratininga, com a participação de antigos membros do Ministério Flordelis. Em maio deste ano, ao ser absolvido da participação na morte de Anderson, Carlos assumiu as pregações na nova igreja, da qual é presidente.

 A antropóloga Carly Machado, que estudou o Ministério, afirma que o fechamento das igrejas pode ser atribuído não só ao escândalo com o crime, mas também às dificuldades administrativas que passaram a ocorrer: “O que aconteceu não foi apenas pelo crime. É claro que o escândalo foi muito vultoso, midiático, gerou muito desgaste para os membros da família. Mas o problema é que, mesmo que haja pessoas que possam não estar convencidas de quem tem culpa (do crime), faltam figuras centrais, como eram Anderson e Flordelis. É muito difícil sustentar o projeto assim.”

Carly relembra que a saída da igreja de outro  filho afetivo, Wagner Andrade Pimenta, o Misael, também teve grande impacto, uma vez que ele auxiliava Anderson nas questões administrativas e financeiras. Após o crime, Misael rompeu com a mãe. Apesar de ser pastor, ele não costumava pregar. Com o assassinato de Anderson, passou a frequentar outra igreja, mas sem cargo. Junto com Misael, dias após Anderson ter sido assassinado, o também filho afetivo Alexsander Felipe Matos Mendes, conhecido como Luan, rompeu com a mãe e se afastou. Importante membro na sede, no Mutondo, atualmente ele é pastor auxiliar no CEI Trindade, também em São Gonçalo.

Os pastores Moisés e Gessica Muniz, que eram responsáveis pela filial de Itaboraí, desligaram-se do Ministério Flordelis um mês após o crime. O casal, que tem o pastor Anderson como grande mentor religioso, relata que a decisão de montar uma igreja foi natural, fruto do contato que mantiveram com os antigos fiéis. Segundo Moisés, eles continuaram dando apoio aos ex-frequentadores do Ministério, mesmo afastados.

“A gente começou a entender, como está na Bíblia, que Deus dá pastores às ovelhas e não ovelhas aos pastores. E a gente começou um processo novo, uma nova igreja”, explica Moisés, que fundou, com a mulher, a Igreja Cema.

“Olho para as pessoas que fazem parte da igreja Cema  e eu vejo um povo muito resiliente. Um povo que conseguiu superar a dor, a frustração, a decepção e conseguiu entender que Jesus é o alvo da nossa vida. Estamos felizes, caminhando. Tem chegado pessoas novas e muita gente permaneceu conosco”, acrescenta a pastora Géssica. Em depoimento à polícia, Flordelis afirmou que suas igrejas chegaram a ter receita de mais de R$ 2 milhões mensais em 2018, valor do qual ela afirmou só ter tomado conhecimento após o crime. As despesas também eram altas, uma vez que todos os templos funcionavam em imóveis alugados. Além disso, a família gastava altas quantias com a construção de uma nova sede no Laranjal, em São Gonçalo, um projeto principalmente do pastor Anderson. O local abrigaria cinco mil fiéis.. A obra foi assumida por outro pastor, Leonardo Sale, da Catedral IPTM, que abriu uma filial no local.

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Fonte: IG Nacional

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