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Saúde

Covid-19: Conheça 4 métodos de vacina que querem imunizar humanos

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Em meio à pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2), cientistas no mundo inteiro correm para desenvolver uma vacina funcional contra a Covid-19. Tradicionalmente, a criação de um composto do tipo é um processo demorado e pode levar até mais de uma década. No entanto, com tanto dinheiro sendo investido no desenvolvimento de uma solução, é possível que a vacina contra o vírus seja a mais rápida da história.

Há centenas de vacinas em processo de testes neste momento, embora algumas delas já estejam em fases mais avançadas. No entanto, ainda que o objetivo seja o mesmo — o de induzir o organismo a criar imunidade contra a Covid-19 —, laboratórios estão apostando em métodos diferentes para chegar até esse resultado.

Algumas dessas técnicas são velhas conhecidas; outras, no entanto, são novidade e não foram aplicadas em nenhuma outra vacina disponível.

Conheça e entenda as quatro principais técnicas em uso para o desenvolvimento da vacina:

Vacina genética

Nesta semana, a empresa farmacêutica estadunidense Moderna anunciou resultados positivos na primeira etapa de testes clínicos. Seu projeto de vacina se mostrou segura e desenvolveu resposta imunológica em alguns dos pacientes 45 pacientes participantes do experimento.

A Moderna é baseada em genes, técnica relativamente nova, assim como a alemã Pfizer, que também está em busca de uma vacina contra Covid-19.

Aqui, o objetivo não é injetar pedaços do vírus ou o vírus inativo no organismo para desenvolver anticorpos. Na verdade, o que acontece é uma etapa anterior: injeta-se material genético no corpo para que a própria célula crie as proteínas do vírus, que pode gerar resposta do sistema imunológico.

Quando o vírus invade o organismo, ele utiliza uma proteína em formato de espinoho, chama de “spike”, para injetar seu material genético nas células, permitindo utilizá-la para se reproduzir livremente. A ideia é fazer com que o próprio organismo humano produza essa proteína sem risco de infecção pelo Sars-Cov-2 e, assim, desenvolva os anticorpos.

Se o vírus entrar no organismo, não deve conseguir usar a proteína para atacar as células. Na prática, isso significaria que o corpo humano produz a própria vacina.

Essa técnica tem uma grande vantagem: é fácil e rápida de se produzir, o que explica a velocidade com que a Moderna está avançando em suas pesquisas, e permitiria a produção rápida das doses em caso de aprovação.

No entanto, historicamente não há uma vacina desenvolvida e aprovada para humanos utilizando esse método até hoje, sinal de que os experimentos com pessoas até hoje não se mostraram satisfatórios.

Vacinas com vetores virais

O maior exemplo aqui é a vacina desenvolvida pela universidade de Oxford. A pesquisa da instituição britânica, que já chegou a prometer conclusão para setembro, não utiliza o Sars-Cov-2 para desenvolver a imunidade contra Covid-19.

O que os pesquisadores fazem é utilizar um outro vírus modificado. No caso da vacina de Oxford, utiliza-se um adenovírus geneticamente alterado para ser incapaz de produzir doenças no organismo humano. Ele também recebe a parte do código genético do novo coronavírus responsável pela produção da proteína “spike”.

Quando injetado no organismo, o vírus não causa doença, mas produz a proteína que deve ser bloqueada pelo sistema imunológico. Assim, os pesquisadores esperam que o corpo possa se proteger em caso de infecção real de Covid-19.

A vantagem desse método é que a resposta imunológica a um vírus ativo, ainda que alterado e incapaz de se multiplicar e provar uma doença, tende a ser mais forte. Isso é importante porque uma dose pode ser o suficiente, o que é chave durante a pandemia.

No entanto, essa técnica também é experimental e nunca foi aprovada para uso em humanos antes. Também há o risco de que algumas das pessoas já tenham contraído o adenovírus utilizado no desenvolvimento da vacina, o que faria com que seu organismo não desenvolva uma nova resposta imunológica, o que tornaria sua aplicação ineficaz.

Vírus enfraquecido

Esse método de vacina é mais tradicional: consiste no uso do próprio vírus enfraquecido ou inativado. A chinesa Sinovac já demonstrou que o método é capaz de imunizar macacos contra a doença.

A ideia é simples: colocar o vírus, já enfraquecido previamente com calor ou radiação, dentro do organismo, deixando-o produzir a resposta imunológica como se estivesse enfrentando o vírus real. Como o vírus foi previamente danificado, a pessoa não deve desenvolver a doença quando injetado em seu organismo.

Essa técnica pode envolver o vírus em um estado inativo (totalmente incapaz de se reproduzir dentro do corpo) ou enfraquecido (o vírus ainda está levemente ativo, mas com menos capacidade de desenvolvimento de doença).

Este último tende a produzir uma resposta imunológica mais forte, mas pode ser arriscada em pessoas que já têm problemas de imunidade. Como se lida com o vírus real, testes de segurança são cruciais para garantir que as pessoas vacinadas não ficaram doentes da doença que estão tentando se imunizar.

O ponto forte desse método é o fato de que ele já é amplamente conhecido, testado e aprovado. Existem diversas vacinas que utilizam essa ferramenta para gerar imunidade contra, por exemplo, gripe, varíola, poliomielite, catapora, sarampo, febre amarela e tantas outras.

No entanto, ela é muito mais difícil de ser produzida em massa. Isso porque os pesquisadores precisam produzir quantidades colossais do vírus para depois enfraquecê-los ou inativá-los. Em uma situação normal, essa dificuldade não é um fator tão importante, mas quando se fala em uma pandemia global que precisa ser sanada com agilidade, isso se torna um grande obstáculo.

Vacina baseados em proteínas

Como já falamos acima, o que faz o coronavírus ser capaz de infectar as células é a proteína “spike”, em formato de espinhos. Neste tipo de vacina, os pesquisadores buscam injetar essa proteína diretamente no organismo, sem o restante do vírus, para que o corpo desenvolva a resposta.

Neste caso, o que se cria é um invólucro do novo coronavírus com todo o seu exterior, mas sem a capacidade de reprodução, já que não conta com material genético, tornando-o incapaz de desenvolver a doença no corpo humano.

Essa técnica não é inédita. Ela já é usada, por exemplo, na vacina contra o HPV. Pesquisadores sabem exatamente o que fazer para desenvolvê-la. No entanto, há alguns pontos negativos.

Por não conter um vírus ativo, a imunidade gerada por ela pode ser frágil e requerer mais de uma dose, o que não é simples de fazer quando se fala em bilhões de aplicações.

Fonte: IG SAÚDE

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Cientistas pedem à OMS que reavalie transmissão da Covid-19 pelo ar

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Agência Brasil

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Pixabay/Tumisu

Cientistas apontam que contágio é possível pelo ar

Em uma carta aberta à Organização Mundial da Saúde (OMS), 239 cientistas de 32 países pedem à entidade que reconheça oficialmente o “potencial significativo” de propagação pelo ar do novo coronavírus . De acordo com o texto, a velocidades padrões do ar em ambientes fechados, uma gotícula contaminada pelo vírus é capaz de viajar “dezenas de metros”. Distância que, segundo o grupo, é muito maior em ambientes fechados e sem ventilação.

“Existe um potencial significativo de exposição por inalação a vírus em gotículas respiratórias microscópicas (microgotas) a curtas e médias distâncias (até vários metros, em ambientes fechados e sem ventilação), e defendemos a utilização de medidas preventivas para mitigar esta via aérea de transmissão”, diz o texto.

O grupo cita alguns estudos que apontam “sem qualquer dúvida” que os vírus são liberados durante a exalação, conversa e tosse em microgotas suficientemente pequenas para permanecerem no ar, representando risco de exposição a distâncias superiores a 2 metros (m) de um indivíduo infectado. Por este motivo, pedem que OMS revise os parâmetros de transmissão e cuidados para a prevenção de contágio do novo coronavírus.

De acordo com a carta, publicada na página da Sociedade de Doenças Infecciosas da América, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, em velocidades típicas de ambientes fechados, uma gota de 5 micrômetros [cada micrômetro equivale a 1 milionésimo de metro ou à milésima parte do milímetro] viajará dezenas de metros, distância muito maior do que em ambientes abertos, e se instalará a uma altura de 1,5 m do chão.

O texto lembra que organismos internacionais e nacionais concentram suas orientações na lavagem das mãos, na manutenção do distanciamento social de 2m e nas precauções contra as gotículas – procedimentos que, de acordo com o texto, são “apropriados, porém insuficientes para fornecer proteção contra microgotas respiratórias portadoras de vírus liberadas para o ar por pessoas infectadas”.

“Seguindo o princípio da precaução, temos de abordar todas as vias potencialmente importantes para retardar a propagação da covid-19”, acrescenta o grupo de cientistas ao listarem uma série de medidas que devem ser tomadas para evitar a transmissão por via aérea: “Na nossa avaliação coletiva existem provas mais do que suficientes para que o princípio da precaução seja aplicado. A fim de controlar a pandemia, enquanto se aguarda a disponibilidade de uma vacina, todas as vias de transmissão devem ser interrompidas”.

Medidas sugeridas

Entre as medidas sugeridas está a “ventilação suficiente e eficaz” de ambientes internos, por meio de ar exterior limpo, de forma a minimizar a recirculação, como equipamentos de ar-condicionado, “particularmente em edifícios públicos, ambientes de trabalho, escolas, hospitais, e lares de idosos”.

Os cientistas sugerem também trocar a ventilação de ar-condicionado, por exaustores e filtros de ar de alta eficiência, além de luzes ultravioleta germicidas.

Por fim, sugerem que se evite aglomeração de pessoas, particularmente em transportes públicos e edifícios públicos.

“Tais medidas são práticas e muitas vezes podem ser facilmente implementadas; muitas não são dispendiosas. Por exemplo, passos simples como a abertura de portas e janelas podem aumentar dramaticamente as taxas de fluxo de ar em muitos edifícios”, complementam os especialistas na carta aberta.

Os cientistas finalizam o documento com um alerta de que, ao implementarem as atuais recomendações de distanciamento de 2 m, as pessoas podem pensar que estão totalmente protegidas, quando, na realidade, “são necessárias intervenções aéreas adicionais para uma maior redução do risco de infecção”.

Este assunto é de grande importância no momento em que vários países estão reabrindo estabelecimentos comerciais e flexibilizando o isolamento social, com as pessoas voltando aos locais de trabalho e estudantes voltando às escolas, faculdades e universidades, alertam os cientistas.

Fonte: IG SAÚDE

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