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Felipe Bezerra

Descobrições calibrosas

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É sério. Minhas idas ao hemocentro em que doo sangue vão muito além da minha visita ao local, em si. Ué? Na penúltima vez em que estive lá, por exemplo, foi maravilhoso.

Quem diria que, numa agulhadazinha de praxe, eu ia acabar conhecendo a expressão ‘calibrosa’, que me foi apresentada pela enfermeira de lá? “Deixa o algodão pressionado, Felipe, que a tua veia é calibrosa”. Tudo isso só porque, pô, o diâmetro interior da minha veia é dilatado.

Sinistro, né?

Aí, voltei ao hemocentro, uns meses atrás, e eis que quem fez nova descoberta não fui eu (e, ó, fiquei boladão, tá?); foi o cara que me pareceu ser uma espécie de enfermeiro-chefe da parada, um bagulho assim.

O papo entre a gente, gerado a partir da notícia da prisão dos hackers(rsrsrs!) de Araraqua(quaquaquá!)ra – exibida na TV do banco de sangue –, foi mais ou menos esse:

– Então, você é jornalista… Também é petista?

– Não. Mas sou comunista.

– Tá liberado. Vai tomar café, vai…

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Vi, na TV, um jogador de futebol dando entrevista, ao fim do primeiro tempo; e nele constatei, surpreso, uma tatuagem, um crucifixo!, bem perto dos zói dele. Eu tenho tatuagem, também. No braço. Braço esquerdo. Mas nunca vi tatuarem perto dos zói. Deve ser invenção de moda. De jogador de futebol, decerto. Eu, um perna-de-pau do caralho!, não tenho tempo pra inventar moda; que dirá fazer tatuagem perto dos zói – nem nos que enxerga, muito menos no cego. Eu não duvido que, daqui a 15 anos, no máximo, vai ter jogador de futebol que vai inventar de decepar a cabeça. Tipo a folclórica mula – tá ligado, Neymar?

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Da brasa da guimba do cigarro caída na rua (laroiê!) à ponta da estrela cadente que atravessa a noite dos insones, ame tudo o que houver para amar. Porque tudo o que existe entre ambas as cintilantes extremidades vai amar você. E te acender, ascender.

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Achei na rua, hoje, uma moeda de 50 centavos. Peguei e guardei no bolso da calça. Horas depois, vi um pedinte na calçada. Que a mim nada pediu. Voltei e dei a ele os 50 centavos. O que a gente recebe da rua, parceiro, à rua a gente devolve. Tá ligado?

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Nunca imaginei que “levantar e partir pra mais um dia de luta” seria, LI-TE-RAL-MEN-TE!, acordar e ligar o rádio no exato momento em que começa a tocar “Kung Fu Fighting”.

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Felipe Bezerra

O NÃO DITO PELO DITO

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“Zeca Pagodinho fica chocado ao saber que cometeu ilegalidade”, alardeou, do meu celular, manchete de um veículo de comunicação que até hoje não sei por que se chama Metrópoles. O que, cá entre nós, não vem ao caso, o tal do nome do site, morô? (Éééé… Sou da época em que “morô”, com chapeuzim do meu vô Dezinho no segundo ‘o’, era apenas slogan das Óticas do Povo e gíria de malandro; jamais otário metido a esperto.)

Não consegui imaginar Zeca vacilando, caindo em contradição. Logo ele, cria de Del Castilho, do Irajá? Fiquei mais cético que ateu diante de pregação de testemunha de Jeová. (Não eram nem oito da manhã de domingo, um domingo friiiiiio pra cacete!, quando a crentezinha tocou a campainha da casa do herege e o acordou; mas, depois, eu conto como terminou essa história entre o coitado e a fiel, que, segundo a galera, não era de se jogar fora.)

Bom, fato é que tinha um troço errado aí. Ah, se tinha! Lá foi, então, o bobo clicar na matéria… “Ele [Zeca Pagodinho] adora jogar no jogo do bicho, mas foi surpreendido quando questionado sobre ser a favor da legalização desse tipo de divertimento. ‘É ilegal?’, perguntou, abismado.” Abismado? Eu é que tô. Tem gente da imprensa que, definitivamente, não manja dos paranauê, paraná. Que dirá da própria vida, o que é, diga lá, meu irmão.

Ah, sobre o ateu e a testemunha de Jeová, pergunta pra pombagira dele e pro exu dela, que dão consulta toda segunda-feira, depois das sete da noite, lá do outro lado da cidade.

Quem com cuspe cuspe…

Cuidado pra onde cospe, hein? De repente, pode te ocorrer mais ou menos como aconteceu, dia desses, com um desavisado, conforme conto a seguir:

Cuspe te caiu à testa, / mas não foi bem lá do alto. / Da boca de quem não presta, / cuspe cai até do chão. / Minha risada é uma festa, / já dizia minha comadre, / mas também se manifesta com maldade, enganação. / Só depende de você, / teu caráter, teu agir, / minha risada vai benzer, / vai curar ou vai ferir. / Nem sempre tua gula / sacia tua fome. / Ganância não regula a paz de pobre homem. / Capoeira de Angola, / tudo que a boca come. / A estrada é minha escola. / Malandragem é meu nome, / camará…

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