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Em 101 dias de Governo, brasileiros estão menos confiantes

A lua de mel do brasileiro com o novo governo durou apenas três meses. Empresas e consumidores estão menos confiantes em uma melhora da economia. É o que mostram as sondagens realizadas com esses dois grupos. Desde fevereiro elas vêm apontando uma interrupção da tendência de alta dos indicadores de confiança, iniciada após as eleições, […]

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A lua de mel do brasileiro com o novo governo durou apenas três meses. Empresas e consumidores estão menos confiantes em uma melhora da economia. É o que mostram as sondagens realizadas com esses dois grupos. Desde fevereiro elas vêm apontando uma interrupção da tendência de alta dos indicadores de confiança, iniciada após as eleições, em novembro do ano passado. Na prática, isso signfica adiamento de decisões de investimento e consumo, o que pode atravancar ainda mais a retomada do crescimento econômico.

Em março, esses indicadores perderam boa parte do avanço conquistado de novembro a janeiro. O desgate na relação entre os presidentes da República e da Câmara, Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia , teve fundamental contribuição, já que coloca em risco a aprovação da reforma da Previdência , considerada fundamental para o governo alcançar o equilíbrio fiscal e a economia voltar a crescer.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu este mês ao menor valor desde outubro de 2018, quando as expectativas estavam contaminadas pelo cenário eleitoral presidencial ainda indefinido. Tanto as avaliações sobre o presente quanto às expectativas em relação aos próximos meses pioraram.

— O resultado sugere desapontamento dos consumidores com o ritmo de recuperação da economia, após projetarem melhoras para a economia e para as finanças familiares nos meses anteriores. Além da velocidade da recuperação econômica estar aquém do esperado, a demora no avanço das reformas tem contribuído para o aumento da incerteza econômica — avalia Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor do IBRE/FGV.

O mesmo ocorreu com o Índice de Confiança do Comércio (ICOM), também medido pela fundação, que recuou em março ao menor valor desde outubro de 2018. O índice acumula uma perda de 8,3 pontos nos últimos três meses.

— Os primeiros resultados da confiança do comércio em 2019 sugerem certa frustração e cautela dos empresários com o andamento do ritmo das vendas. As quedas dos índices, tanto de situação atual quanto de expectativas, reforçam o cenário de lenta recuperação do setor influenciado pelo elevado nível de incerteza e do arrefecimento da confiança dos consumidores – avalia Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio do Ibre.

A prévia da sondagem da confiança da indústria de março, divulgada também pela FGV esta semana, sinaliza queda de 1,9 ponto do indicador, depois de ele ter atingido, em fevereiro, o maior nível desde agosto do ano passado. Já o Índice de Confiança do Empresário da Construção, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), recuou pelo segundo mês consecutivo em março. Segundo a entidade, a queda é resultado da piora da avaliação dos empresários sobre as condições atuais dos negócios e das perspectivas em relação ao desempenho das empresas e da economia nos próximos seis meses. Com a queda da confiança, os empresários do setor estão menos dispostos a investir.

— As dificuldades no cenário político diminuem a previsibilidade dos agentes econômicos. Isso se reflete em uma postura mais cética dos empresários, principalmente em relação a investimentos de longo prazo — diz a economista da CNI Dea Fioravante.

Com relação há um ano existe pouca diferença entre os níveis de agora. Em fevereiro de 2018, todos os índices de confiança medidos pela FGV estavam baixos ou muito baixos em termos históricos, exceto a indústria, que naquele momento estava em patamar neutro e hoje retrocedeu ao nível baixo. Após os resultados das eleições presidenciais, no entanto, começaram a subir, devido às expectativas positivas depositadas no novo governo.

O superintendente de Estatísticas Públicas da FGV, Aloisio Campelo Jr, diz que é possível que a confiança volte a subir um pouco no segundo trimestre, mas este avanço está condicionado à queda da incerteza econômica. Ele diz que o espaço para avanços mais expressivos aumentará se houver sinais de concordância entre Executivo e Legislativo em torno dos principais pontos da agenda econômica neste primeiro ano de governo Bolsonaro.

Num exercício de projeção dos índices de confiança até o final deste ano, considerando previsões de consenso de mercado para as principais variáveis econômicas e três diferentes trajetórias para a incerteza, os resultados obtidos pela FGV mostram que, mesmo na hipótese mais otimista, a confiança empresarial e do consumidor dificilmente alcançariam patamares elevados este ano.

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Mercado financeiro prevê queda de 1,96% na economia este ano

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Com a pandemia de covid-19, o mercado financeiro tem piorado a estimativa para a queda da economia este ano. A previsão de recuo do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – passou de 1,18% para 1,96%. Essa foi a nona redução consecutiva.

A  previsão para o crescimento do PIB em 2021 subiu de 2,50% para 2,70%. As previsões de expansão do PIB em 2022 e 2023 permanecem em 2,50%.

Dólar

A cotação do dólar deve fechar o ano em R$ 4,60, contra R$ 4,50 na semana passada. Para 2021, a expectativa é que a moeda americana fique em R$ 4,47, contra R$ 4,40 da semana passada.

Inflação

As instituições financeiras consultadas pelo BC reduziram a previsão de inflação para 2020 pela quinta vez seguida. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 2,72% para 2,52%.

Para 2021, a estimativa de inflação segue em 3,50%, assim como para 2022 e 2023.

A projeção para 2020 está praticamente no limite inferior da meta que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4% em 2020, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, o limite inferior é 2,50% e o superior, 5,50%. Para 2021, a meta é 3,75% e para 2022, 3,50%, também com intervalo de 1,5 ponto percentual em cada ano.

Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 3,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Para o mercado financeiro, a expectativa é que a Selic tenha mais uma redução e encerre 2020 em 3,25% ao ano a mesma previsão da semana passada.

Para o fim de 2021, a expectativa é que a taxa básica chegue a 4,50% ao ano. A previsão anterior era de 4,75% ao ano. Para o fim de 2022 e 2023, as instituições mantiveram a previsão em 6% ao ano.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

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