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Em favelas, mães não conseguirão comprar alimentos, diz pesquisa

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Agência Brasil

Nove em cada dez mães moradoras de favelas terá dificuldade para comprar comida após apenas um mês sem renda, revelou a pesquisa “Coronavírus – Mães da Favela”, realizada por Data Favela e pelo Instituto Locomotiva. O levantamento foi feito em 260 favelas, em todos os estados do país. As favelas brasileiras abrigam 5,2 milhões de mães, com média de 2,7 filhos cada uma.

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Chensiyuan / Creative Commons

Nove em cada dez mães moradoras de favelas terá dificuldade para comprar comida após apenas um mês sem renda


Sete em cada dez mães não conseguirão manter o padrão de vida por nenhum período, caso fiquem sem renda. O restante delas tem uma reserva para se manter até no máximo dois meses. A parcela de 85% dessas mulheres disse que o pagamento de suas contas será prejudicado por ter que ficar em casa sem renda e 58% afirmou que o cuidado com a sua família será prejudicado pelo mesmo motivo.

“O impacto na economia e o isolamento social cortam a renda das mulheres autônomas, como diaristas e vendedoras ambulantes, por exemplo, que dependem da circulação para ganhar dinheiro. Estamos falando de um drama que se divide entre proteger a saúde e ter o que comer em casa”, disse Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Data Favela.

Nova rotina

A pandemia causada pelo novo coronavírus mudou completamente a rotina dessas mães, moradoras das favelas brasileiras, conforme aponta a pesquisa. O levantamento mostrou que, para nove em cada dez mães, a pandemia já mudou algo em suas rotinas. Para 99% delas, há preocupação em relação à doença.

“Em um país capitalista, viver custa. A única forma de garantir as necessidades básicas é através de emprego e renda. Se neste momento não existe emprego para elas, então temos que garantir renda. Seja o estado ou a sociedade – que se beneficiou da mão de obra e da riqueza que a favela produziu até semana passada. Falo de R$ 199 bilhões por ano”, disse Celso Athayde, fundador da Central Única de Favelas (CUFA) e também do Data Favela.

Athayde ressaltou que essas mães são as mães mais frágeis da sociedade. “Sou de favela, minha mãe cuidava dos filhos, dos meus avós e tinha que vender cocada para segurar a barra. Ela tinha medo de perder seus clientes porque sabia que isso poderia lhe custar a vida. Se ela estivesse viva hoje, ela iria descobrir que não tem mais os compradores da sua cocada e o fim da vida poderia ter chegado de fato. As demandas são essas: trabalhar e trabalhar para sobreviver com alguma dignidade”. 

Aumento de gastos

Para as mães, o fato de os filhos deixarem de frequentar a escola devido ao novo coronavírus traz incertezas e também se refletem nos gastos da casa. Três em cada quatro mães, cujos filhos não estão indo para a escola no contexto da doença, disseram que os gastos em casa aumentaram. Para sete a cada 10 mães, o fato de os filhos estarem em casa por causa das ações de combate ao novo coronavírus dificulta que a família trabalhe para ter renda.

O total de 84% das mães nas favelas já estão sendo impactadas com a diminuição da renda devido às ações contra a doença. Segundo a pesquisa, 37% das mães que vivem em favelas são autônomas e 15% têm carteira assinada. Para 84% das mães da periferia, o movimento já está reduzido nas vendas de seus negócios ou na empresa onde trabalham.

As mães que estão cortando gastos para passar por este momento somam 87% do total. Além disso, 85% afirmaram que o pagamento das contas ficará comprometido pela falta de renda.

Athayde ressaltou ações solidariedade que tem visto neste período, apesar da não garantia de direitos para a população da favela ao longo da história. “Confesso que nunca acreditei que a sociedade um dia olhasse tanto para as favelas como estou vendo. Não importa as motivações. Seja por medo das consequências naturais de um caos ou por um sentimento humanitário, que é fundamental”, disse.

“Mas essa preocupação se justifica pela negligência e o abandono dos governos ao longo dos anos. A sociedade sempre fechou os olhos. O coronavírus virou o responsável pelo problema atual, mas poderíamos passar por esse trauma com menos sofrimento se houvesse saneamento básico para todos, por exemplo”, acrescentou. 

Mães da Favela

Cinco mil mulheres de favelas serão contempladas com R$ 120, durante dois meses, em 11 estados e no Distrito Federal pela campanha “Mães da Favela”, lançada hoje pela Central Única das Favelas (CUFA) em parceria com o Data Favela e o Instituto Locomotiva, que vai ajudar mães solo atingidas pelos reflexos da disseminação do novo coronavírus.

“Temos milhões de mulheres que estão desamparadas por todo o Brasil, sem condições de colocar dinheiro em casa por conta do isolamento. Faremos o máximo possível para atenuar as dificuldades tendo em vista que 50% dos lares são chefiados por mães”, disse Celso Athayde.

A CUFA entregou mais 100 toneladas de alimentos pelo país e, durante essa entrega, suas lideranças e voluntários ouviram que muitas mulheres precisavam de auxílio para comprar não apenas alimentos, mas remédios e gás. O objetivo da campanha é ajudar financeiramente mulheres a tomarem a decisão de quais produtos são de aquisição essencial.

Para Renato Meirelles, a campanha é uma maneira de ajudar as mulheres que mantêm lares, além de fortalecer os pequenos comércios nos bairros. “As favelas têm mais de 5,2 milhões de mães. São as chefes de família que controlam melhor o orçamento, cuidam das crianças e ainda prezam pela saúde dos idosos que moram em suas casas”, afirmou.

O repasse do dinheiro deve acontecer em 15 de abril e 15 de maio. Doações estão sendo recebidas pelo site oficial da campanha. “Nós recebemos e fazemos a distribuição para as mães que estão com dificuldades”, concluiu Athayde.

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Secretário de saúde diz que prescrições de hidroxicloroquina caíram em SP

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Uso da hidroxicloroquina no tratamento de Covid-19 ainda não possui eficácia compravada

Em coletiva de imprensa transmitida na tarde desta quinta-feira (4), o secretário de saúde do estado de São Paulo, José Henrique Germann, reconheceu que – apesar de a rede pública de saúde contar com estoque do medicamento – houve uma queda na prescrição e busca pela hidroxicloroquina , citado pelo Ministério da Saúde como possível tratamento contra a Covid-19.

“Temos cloroquina em estoque desde o primeiro decreto, pois recebemos do Ministério da Saúde . Ela pode ser usada, mas depende da prescrição do médico e do consentimento do paciente, e isso de fato vem diminuindo ao longo do tempo, seja pelo resultado ou pelos efeitos colaterais”, disse o secretário.

Leia mais: Lula diz que Bolsonaro devia “tomar sopa” de cloroquina e ser “impichado

O coordenador do centro de contingência do Covid-19 no estado e diretor do Instituto do Coração (INCOR) do Hospital da Clínicas, Carlos Carvalho, ainda acrescentou que “a hidroxicloroquina nunca fez parte da rotina de prescrição no nosso hospital ou no nosso sistema de saúde. Atualmento estão surgindo cada vez mais estudos sobre isso e os dados científicos continuam apontando para o não uso da hidroxicloroquina”.

A hidroxicloroquina ainda é a principal aposta do governo federal contra a nova doença. Alvo de polêmicas e discordância entre os ex-ministros da Saúde e o presidente da república, o medicamento já representa um investimento de R$ 652 mil apenas pela última encomenda de matéria-prima feita pelo laboratólio Químico e Farmacêutico do Exército, que pretende produzir mais 1,75 milhão de comprimidos para enfrentamento da pandemia.

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