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Política Estadual

Esgotamento: Aracruz tem projetos, mas precisa de recursos

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Aracruz tem 42% de cobertura de rede e tratamento de esgoto e espera até 2026 alcançar a universalização do saneamento. Os projetos executivos para as obras já foram elaborados e investimento total gira em torno de R$ 253 milhões. Mas, segundo o diretor-geral do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) municipal, Elias Antônio Coelho Marochio, o problema é a falta de recursos para colocar as obras em prática, que ainda precisam ser captados.

Na reunião da Frente Parlamentar de Fiscalização de Obras de Coleta e Tratamento de Esgoto no ES, realizada nesta quinta-feira (12), o diretor cobrou uma linha de financiamento, sobretudo junto ao governo do Estado, uma vez que só a taxa paga pela população pelo serviço não é suficiente para ampliar o sistema. “Hoje os Saaes estão meio que órfãos, não temos uma linha de financiamento”, afirmou.

De acordo com ele, o governo tem investido muito na Cesan. A autarquia inclusive assumirá a distribuição de água e a rede de esgoto e tratamento na região da orla, muito em função dos investimentos empresariais, como o estaleiro Jurong, e ao apelo turístico do local – aliviando em R$ 100 milhões (do total de R$ 253 milhões) os investimentos municipais previstos.

Cesan x Saae

O sistema de funcionamento híbrido despertou questionamento do deputado Gandini (Cidadania), presidente da FP. Se a Cesan já vai assumir a orla, perguntou, por que não poderia ficar encarregada por todo o sistema de saneamento de Aracruz (que inclui outras três regiões). “Pelo que estou vendo o Saae não tem condição nenhuma de executar (os investimentos)”.

Elias associou o crescimento da Cesan aos recursos que o governo do Estado aloca na companhia, pois “tarifa não paga o negócio”. “Por que o governo investe só na Cesan? Vamos lembrar aqui que Aracruz e os demais municípios compõem o caixa do governo”, avaliou. Se isso fosse feito, o serviço poderia ser tocado pelo Saae porque apresenta custo operacional menor.

Para o vice-prefeito de Aracruz, Lucio Zanol (PTN), essa dificuldade estaria associada à visão que a população local tem sobre a Cesan, de uma empresa que cobra tarifas altas. Para que essa mudança fosse colocada em prática, seria necessário aprovar uma lei na câmara municipal e os vereadores sofreriam pressão dos moradores da cidade, ponderou.

Para o morador da Barra do Sahy Jean Pedrini a proximidade do Saae com a comunidade não pode ser esquecida. “Geralmente os trabalhadores são pessoas ligadas à comunidade”, explicou. “Eles entendem o Saae como uma família, uma extensão de sua casa”. 

Já o representante da Cesan Luiz Cláudio Victor Rodrigues adiantou que o contrato para o início das obras na orla será assinado nos próximos dias, com prazo de entrega em 6 anos. Ele não descartou que a companhia assuma o serviço em todo o município. “É muito importante para gente que esse sistema funcione, que o contrato dê certo, e que a gente possa evoluir. Quem sabe a gente não evolui para o município inteiro?”, finalizou. 

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Política Estadual

Deputados reivindicam espaços públicos para a cultura

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A venda de imóveis públicos federais e estaduais localizados na cidade de Vitória já vem sendo anunciada pelo menos desde 2019. O assunto foi tema de pronunciamentos na sessão ordinária virtual da Assembleia Legislativa nesta segunda-feira (3). Os deputados comentaram o processo em curso de venda de imóveis que, segundo eles, deveriam ser destinados para incrementar o setor cultural, um dos grandes prejudicados com a quarentena nesta pandemia.

Pelas informações dos parlamentares, estão sendo encaminhados para a venda o antigo armazém do Instituto Brasileiro do Café (IBC), localizado no bairro Jardim da Penha, o campo do Santa Cruz, localizado no bairro Santa Lúcia, e o Centro Cultural Carmélia Maria de Souza.

Consulta prévia

Iriny Lopes (PT) comentou a venda desses imóveis. Para ela, “há vários equívocos e erros de natureza jurídica que precisam ser melhor analisados. As obrigações legais para a venda desses imóveis não estão nem previstas e muito menos legalizadas”, ressaltou.

A venda desses imóveis sem a consulta prévia e debate com as comunidades e os setores interessados, de acordo com Iriny, “só faz prejudicar o setor de cultura de nosso estado que não conta com quase nenhum equipamento público. Além do que as comunidades que precisam de espaços para a realização de suas atividades também não foram consultadas”, pontuou.

A deputada entende que a Assembleia não deve ficar distante dessa questão de tamanha importância não apenas para a cidade de Vitória ou a região metropolitana, mas para todo o estado. Ela elogiou a criação de um colegiado na Casa para discutir o tema.

Priorizar a cultura

O deputado Delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos), que preside a recém-instalada Frente Parlamentar para Debater a Alienação dos Imóveis da União no Estado do Espírito Santo comentou a destinação desses imóveis em Vitória: Campo do Santa Cruz, Centro Cultural Carmélia Maria de Souza e IBC.

Pazolini discordou de que o Carmélia se transforme num depósito de armazenamento de grãos do Ministério da Agricultura. “Essa não é a opção mais adequada, que atenda ao interesse público. No caso do Teatro Carmélia, é uma área que tem uma história no Espírito Santo, que tem relevantes serviços prestados à cultura e à arte no estado e que devem ser valorizados e reconhecidos, principalmente neste momento que as pessoas precisam tanto de bons espetáculos, entretenimento, porque as pessoas estão adoecendo, e esse mercado precisa ser fomentado e não atingido ainda mais”, considerou.

O deputado referiu-se também à área ocupada no bairro Jardim da Penha pelo IBC. “É uma importante área que tem de ser destinada de acordo com o interesse da comunidade. Os moradores do Jardim da Penha precisam ser ouvidos, os moradores de Santa Lúcia precisam ser ouvidos em relação ao campo do Santa Cruz. Não podemos ter imposições de ideias, ausência de debates, algo que vem de cima pra baixo, sem nenhum debate com a cidade”, analisou.

O assunto também foi tema da fala do deputado Torino Marques (PSL), que destacou o Centro Carmélia e as várias décadas de sua existência, além de a construção abrigar também a TV Educativa (TVE).

O presidente da Comissão de Cultura e Comunicação Social expressou sua indignação com a situação do antigo centro cultural. “Na semana passada, um assunto mexeu com a comunidade da cultura capixaba: a desativação do Centro Cultural Carmélia Maria de Souza do local que está desde o começo de 1986. O espaço está abandonado e muito sujo. A estrutura do prédio exibe rachaduras, infiltrações, numa falta de cuidado total das autoridades”, descreveu Torino.

Torino ainda lembro que o local é da União e funcionou com cessão ao estado e ao município. O deputado convidou para um ato em defesa do Centro Cultural Carmélia, a partir da 11h30 da manhã. “Trata-se de uma carreata e justa reação das entidades e ativistas culturais capixabas pela revitalização do local, incluindo a retomada de suas atividades culturais”, convidou.

Assistência da Renova

A Fundação Renova foi alvo de críticas dos parlamentares por conta da ausência da entidade na assistência às vítimas do crime ambiental que afetou a Bacia do Rio Doce. Rafael Favatto (Patriota), presidente da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente e aos Animais, alertou para o descaso da Fundação Renova para com os atingidos pela tragédia de Mariana, principalmente os pescadores e a população ribeirinha da região ao longo de todo o Rio Doce. “A Renova suspendeu o auxílio de mais de sete mil atingidos de Minas Gerais e do Espírito Santo. O Ministério Público reverteu a ação e o benefício continua”, anunciou, embora temporariamente, até a definição da Justiça.

Crime ambiental

Foi publicada na imprensa, sábado, segundo Favatto, uma pesquisa sobre a qualidade da água tanto do Rio Doce como do mar, na foz do Rio Doce, em Regência, que contaminou toda a vida da água doce e marítima. “A carne daqueles peixes, dos mariscos, é imprópria para o consumo humano por excesso de metais pesados, chegando a um nível 100 vezes maior do que o habitual”.

O deputado observa que a Fundação Renova não investiu na capacitação dos pescadores, possibilitando a eles e suas famílias novas profissões. “Depois de quase seis anos, dava pra formar quase um médico. Em seis anos a Renova mal pagou o auxílio, ela poderia ter investido na formação desses pescadores, dessas sete mil pessoas que ficaram de um dia para outro sem renda”, exemplificou.

As críticas foram reforçadas pelo deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), que já convocou por várias vezes a Renova para depoimento na CPI da Sonegação Fiscal. O parlamentar diz que já era previsto o que está acontecendo. Lembra que quando houve o desastre ambiental, a Justiça Federal bloqueou mais de R$ 20 bilhões da Vale. Desde que a entidade foi criada, Vale, Samarco e BHP destinaram à Renova apenas R$ 2,5 bilhões. “A Vale, a Samarco e a BHP cometeram uma assassinato de um rio e destruíram vidas e fontes de alimentação de trabalhadores comuns. Quando dizíamos na CPI que só se resolveria isso se a diretoria da Vale fosse presa, muitos acharam que era exagero”, lembrou.
 

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