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Juntos e misturados, um Governo que se desgabinetizou

A expressão juntos e misturados é uma gíria de origem paulistana. Significa mais ou menos que todos de um grupo formam um coração e uma só mente. Estas palavras distantes a quase mil quilômetros da capital do Espírito Santo, Vitória, mostra bem o que foi o primeiro mês do novo governador Renato Casagrande. Sim! Sua […]

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A expressão juntos e misturados é uma gíria de origem paulistana. Significa mais ou menos que todos de um grupo formam um coração e uma só mente. Estas palavras distantes a quase mil quilômetros da capital do Espírito Santo, Vitória, mostra bem o que foi o primeiro mês do novo governador Renato Casagrande. Sim! Sua primeira providência em relação ao antecessor foi quebrar as barreiras protocolares que existem para que a população tenha acesso aos órgãos públicos e para que sua imagem não se torne só a de um homem de gabinete, cercado de assessores e de difícil acesso. Pelo contrário. Expôs ao máximo sua solicitude em atender a quem pedia.
Pois bem. Um bom exemplo deste novo estilo de governar pode ser dado com a Maratona de Anchieta, da qual o governador participou como cidadão comum e, de quebra, era visto em Iriri, balneário daquele município, parando o carro para cumprimentar quem o reconhecia. Participou de uma festa com amigos, tudo em um fim de semana, e na segunda-feira já estava engravatado, nos gabinetes de Brasília para reuniões agendadas.
Não é só no comportamento humano que Casagrande mostra diferenças. De cara, logo no primeiro mês de sua gestão, promoveu, como havia prometido, a anistia dos Policiais Militares (PMs) punidos por causa da greve. Ou seja: deixou claro que mantém a palavra colocada a quem nele votou, cumprindo – coisa rara no Brasil por parte dos políticos – as promessas feitas no fervor de uma eleição.
Neste primeiro mês, ao nomear seu secretariado, assessores e diretores, além do pessoal de outros órgãos governamentais, evitou as “excelências”, “eminências”, “sumidades”, que se ocultam nos títulos de “doutores” para manter a distância da população e até da imprensa. Pelo contrário. Procurou gente técnica, capacitada, que mantém relação direta com cada setor, sem se preocupar com inúteis formalidades. Houve erro? Sim! O caso do Banestes, mas rapidamente reconhecido pela administração que soube exonerar e substituir a figura suspeita, com agilidade administrativa poucas vezes vista no governo anterior. Um elefante branco em seus movimentos sutis e truculentos.
Ora, o parágrafo acima não reflete o pensamento do Governo Casagrande em relação ao passado, ou melhor, a quem nos governou anteriormente. Renato disse que vai seguir com todas as obras iniciadas e contorna toda a celeuma aventada pela imprensa sobre Paulo Hartung. Para ele, o que importa é o presente e o futuro. Para consertar o gabinetismo da administração anterior não precisa ficar propalando o que todos já sabem e experimentaram na carne.
Para provar que é “todo mundo junto e misturado”, Casagrande disse que não está fechado a qualquer proposta de parceria do Governo Jair Bolsonaro, figura polêmica, ao qual ou se ama ou se detesta. Diferentemente, entende, como deixou claro em um discurso, que o mais importante é o desenvolvimento do Estado e não as mazelas políticas que envolvem esta ou aquela pessoa.
De quebra, parece ter mantido a harmonia na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), mostrando estar aberto a qualquer político, não importa qual camisa vista. Isso ficou claro em algumas atitudes de sua pequena gestão, quando ouviu todas as partes sem presunção ou a altivez que o cargo até poderia lhe impor.
Recolocou escolas fechadas para funcionar, fechadas pela gestão protocolar que o antecedeu, como a Escola Menino Jesus, em Muniz Freire, fechada no fim de 2017 e que gerou a transferência dos alunos para outra escola da rede, localizada a 20 km de distância. A escola agora funciona com 120 vagas para as 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio. E outros tantos colégios inexplicavelmente reduzidos de importância de 2015 a 2018.
Junto e misturado. Uma só mente, um só coração. É difícil fazer isso quando as grades de um gabinete o prende. Mas Casagrande não ficou refém do Plunct-Plact-Zoom da burocracia. Foi às cerimônias e reuniões que exigiam o governador e também aos eventos nos quais só uma camisa social basta: a de entidades, associações, municípios e igrejas, entre outros. Parecia um convidado normal. Um ser normal. Que quer o bem do estado acima de tudo, mas deseja estar perto de quem dele precisar. Este é o conceito que nos foi passado neste primeiro mês. Esperamos que prossiga assim. Mais juntos e misturados do que antes. Afinal, para governar não precisa se gabinetizar e usar terno e gravata para apertar a mão de um trabalhador. De um cidadão capixaba. Tudo isso entre quem tem os mesmos desejos em uma só mente e um só coração.

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Será que o Rei da Linguiça quer ser o novo Barão de Itapemirim?

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Por Tiago Turini

O nome Barão de Itapemirim que leva a rua onde hoje funciona a Câmara Municipal de Cachoeiro nunca fez tanto sentido. Um vereador declaradamente monarquista quer aprovar uma lei “nunca vista antes na história do município”. Uma super lei, valendo mais que determinações do Governo Federal e Estadual, criando uma espécie de império dentro da República, onde o que vale da porteira para dentro de Cachoeiro é o que ele aprova no Legislativo Municipal.

Talvez pela pouca idade e por ter crescido praticamente em um império, a empresa do seu pai, a Cofril, Juninho da Cofril, como é conhecido, talvez esteja sendo influenciado pela realidade em que viveu e viu até hoje, onde apenas o patrão manda e os funcionários obedecem. Juninho talvez precise entender que a lógica, agora, é inversa: o funcionário é ele e quem manda é o povo, além, é claro, de toda uma construção histórica de um regramento que acabou virando um mundaréu de leis, na qual, em seu ápice político hoje (23) na Câmara Municipal de Cachoeiro, durante um evento negacionista, transgrediu algumas dessas leis, cometendo crime contra a saúde pública, ao promover aglomeração em meio a uma pandemia. Será que o Ministério Público viu isso?

O que Juninho da Cofril propôs e levou quase todos os vereadores a embarcarem nessa furada, com a exceção do vereador professor Diogo Lube que se posicionou contra, é uma aberração legislativa. Mas como é marinheiro de primeira viagem e refuta ter assessoria de qualquer área, o erro é perdoável.

Juninho da Cofril quer criar uma lei onde, num cenário imaginário, por exemplo, em caso de uma outra pandemia no Brasil, nem mesmo o Governo Federal poderia determinar o que aconteceria em Cachoeiro. Ou seja, se amanhã o Brasil inteiro tiver que fechar o comércio, no Império Cachoeirano onde quem fabrica linguiça é rei, o comércio poderá funcionar normalmente, pois valerá o que diz a lei municipal proposta hoje, onde quem determina o que é essencial ou não no comércio será o Legislativo Municipal. É tão óbvio que não precisa ser nenhum Sérgio Moro para enxergar a inconstitucionalidade de tal Projeto de Lei.

Mais ainda

Juninho convocou empresários e trabalhadores para um protesto na porta da Câmara que, entre outras coisas, descumpriu todas as medidas sanitárias para enfrentamento do Coronavírus. E o povo que lá compareceu não sabia que se aglomerou à toa, porque a lei já nascia morta e nenhuma manifestação coletiva serviria de nada, até porque, falta uma semana, das duas impostas, para a quarentena acabar.

Talvez falte um pouco mais de Bolsonaro em Juninho da Cofril. Jogar para a plateia e fazer discursos vazios, acompanhados de políticas públicas ineficientes pode parecer fácil, mas, a exemplo do presidente, requer muitos anos de experiência.

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