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Yelmo Papa

Odiar é mais fácil

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Nos últimos tempos, talvez desde 2013, o Brasil tem sido palco de demonstrações gratuitas de ódio. Muitos grupos, alguns deles digitais, que se intitulam guardiães da liberdade e da mudança, utilizam-se de táticas de desmoralização, desconstrução e pura pregação do ódio para fazer valer suas ideias.

Ora, se é muito mais fácil promover linchamentos nas redes sociais, para que vamos pensar em propor ideias e discutir projetos para um Brasil melhor? É assim que estes grupos pensam. Para atingir seus objetivos, estas pessoas usam uma ferramenta ao mesmo tempo eficaz e perigosa: as fake news.

Elas se aproveitam da tendência nacional de se acreditar mais no que é falso, porém sensacionalista e bombástico, do que nas informações divulgadas por instituições confiáveis e pela Ciência. E isso tem aumentado cada vez mais, porque essas milícias do ódio lutam para desconstruir a credibilidade de órgãos de imprensa, por exemplo, quem estão há mais de 100 anos no mercado.

A ideia é simples: se jornais, rádios, TVs e, mais recentemente, sites não falam o que eu quero ouvir, eles estão mentindo; mas se o blogueiro A ou youtuber B são porta-vozes do meu pensamento, aí sim, eles são a verdade.

Nos últimos dias o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, foi alvo de ataques pelas redes sociais. Em um deles, uma pessoal divulgou um vídeo em seu perfil no Facebook onde se via Casagrande numa festa junina, sem máscara nem qualquer cuidado nesses tempos de pandemia.

Mas é claro que ele não poderia usar nada contra o coronavírus, pois a festa em questão aconteceu em 2017, numa comunidade de Domingos Martins, que cancelou o evento desse ano por razões óbvias. Até o governador se confundiu com o vídeo e chegou a dizer que foi feito no ano passado. Mas sua assessoria o corrigiu em tempo, apesar de não fazer diferença se a festa tinha acontecido em 2019 ou 1999. Não se conhecia o novo coronavírus.

Num segundo ataque, dessa vez genérico, foi usada a imagem do governador num outdoor em Cachoeiro de Itapemirim para divulgar “a ideia” de que nem ele, nem qualquer partido que o apoia, seria digno de voto. Mais uma vez os “combatentes” de direita não apresentaram projeto algum, nem motivos claros para pedir o “não voto”.

Os grupos “Direito do Cachoeiro” e “Ordem, Justiça e Liberdade” apenas pedem que se “diga não ao PSB, PCdoB, PT, PDT e Psol”. Não apresentam motivos lógicos nem alternativas. Talvez seja uma tática para fugir da Lei Eleitoral, já que pedindo votos para alguém ou algum partido político o referido outdoor seria enquadrado como propaganda eleitoral extemporânea.

No primeiro caso a Justiça já agiu. Determinou a retirada do vídeo e seus comentários do Facebook e arbitrou uma multa de R$ 1 mil diários casos a ordem não seja cumprida. Já no caso de Cachoeiro o Ministério Público Eleitoral instaurou um procedimento para investigar a regularidade ou não da propaganda.

Alguns juristas acreditam tratar-se sim de propaganda fora do prazo legal (27 de setembro, devido à pandemia0, mas outros declaram que o conteúdo do outdoor não passa de direito de opinião.

Vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela que se espalha pelo país todo e que mexe com paixões. Nossos juízes, desembargadores e ministros das cortes superiores terão muito trabalho, mas acreditamos que eles estão atentos para barrar os abusos na propagação de ideias, sejam elas contra ou favor de quem quer que seja.

A gente sabe que amar é muito mais difícil do que odiar, pois temos que aceitar não só as virtudes, mas os defeitos do outro lado da relação. Mas como já diria uma velha, e quase esquecida frase, “só o amor constrói”. Que tal apostar nele?

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