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Pânico com coronavírus eleva venda de armas e munição nos EUA

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Agência Brasil

Compra de armas e munições aumentou nos EUA após pandemia do coronavírus

Os norte-americanos estão indo às lojas para estocar não apenas comida, álcool em gel e papel higiênico, mas também armas de fogo e munição. O pânico no país é causado pelo novo coronavírus, a Covid-19, que já soma mais de 55 mil casos e 700 mortes nos Estados Unidos.

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Donos de lojas de armas no país relatam que houve um salto nas vendas nas últimas semanas. Em frente às lojas é possível ver longas filas devido ao medo que os estoques de munição não sejam suficientes para atender às demandas da população local. 

“A procura aumentou 800%”, diz à BBC News Brasil o proprietário da Dong’s Guns, Ammo and Reloading, David Stone, cuja loja de armas é uma das mais antigas no Estado de Oklahoma, em operação desde 1946 em Tulsa.

A justificativa dada pelos norte-americanos é o medo do aumento de criminalidade devido a possíveis efeitos negativos na economia por conta do coronavírus . “As pessoas estão com medo de que haja uma revolta. Têm medo de roubos e coisas do tipo”, afirma Stone. “Muitos estão comprando armas pela primeira vez”.

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No Brasil, o número de casos do coronavírus continua crescendo: até a tarde da terça-feira (24), o Ministério da Saúde informou que havia 46 mortos e mais de 2 mil contaminados no país.

Fonte: IG Mundo

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Isolamento voluntário: “me demiti para proteger a família”, diz fotógrafo

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Embora exista uma atuação do Estado em diversos países para incentivar a quarentena – medida mais eficaz para a redução de danos da crise do coronavírus – elas não são suficientes sem as atitudes individuais dos cidadãos. Se não unânime, pelo menos essa é a opinião do fotógrafo brasileiro Ivan Alecrim, que vive em Barcelona , na região espanhola da Catalunha. 

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Reprodução

Barcelona está em uma das regiões mais atingidas pelo Covid-19 na Europa

O posicionamento de Ivan concorda com a maioria dos especialistas e profissionais de saúde pública, que defendem o distanciamento social como medida mais eficaz contra o avanço do vírus que já atingiu meio milhão de pessoas no mundo. 

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Há cerca de um ano no país, onde o número de mortes causadas por coronavírus já ultrapassou os dados na China, Ivan diz que precisou pedir demissão do café onde trabalhava.

A decisão ocorreu ao mesmo tempo em que sua esposa, Samara, rejeitou uma oportunidade de emprego pelo mesmo motivo: a urgência em iniciar a quarentena

“Quando a doença chegou na Itália nós começamos a ficar mais alarmados, mas tudo estava controlado até o momento em que Madrid explodiu em casos e as pessoas entraram em pânico. Houve uma corrida para estocar papel higiênico e alimentos. Uma semana antes do anúncio oficial do governo pela quarentena, muita gente já usava máscara. As ruas estavam mais vazias, mas ainda havia gente na rua”, recorda.

“Esperei um posicionamento da empresa, mas vi os casos ficando mais graves e nada acontecia. Chegou um momento em que percebi que o governo ainda não havia feito nada e nós precisávamos fazer por nós”, explica Ivan, que além do emprego fora de casa – onde precisava interagir diretamente com os clientes – também oferece aulas on-line de fotografia e outros temas. 

Além do afastamento dos trabalhos, a suspensão das aulas de Nina, a filha de 12 anos, também precisou partir primeiro do casal. “Vários colegas dela já estavam deixando de ir. Nós continuamos mandando a Nina para a escola porque ela ainda tinha uma prova a ser feita. Depois disso, decidimos que ela ficaria em casa”, conta. Segundo Ivan, as aulas só foram suspensas oficialmente uma semana depois. 

Recentemente, um estudo feito por pesquisadores da Universidade Nacional de Singapura (NUS) e publicado no periódico  Lancet Infectious Diseases , revelou que o isolamento de pessoas infectadas e seus familiares, fechamento de escolas e distanciamento em ambientes de trabalho e no teletrabalho é a combinação mais eficaz para conter a pandemia.

Embora menos eficientes que a abordagem tripla , o estudo ainda conclui que quarentenas e medidas nos ambientes de trabalho são a segunda melhor opção para reduzir os casos de covid-19, seguidas de quarentenas e fechamento de escolas e somente de quarentenas.

Semelhanças entre Brasil e Espanha causam medo

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Reprodução/Arquivo pessoal

Ivan, a filha Nina e esposa Samara em Barcelona, antes das medidas de isolamento social

Apesar do volume de acontecimentos atualizados a cada dia, a diferença entre Espanha e Brasil não é tão grande quando o assunto é o tempo desde a chegada da doença. Segundo país europeu mais afetado pelo Covid-19 , a Espanha impôs o estado de emergência no dia 14 de março. 

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Já no Brasil, embora o governo federal tenha decretado estado de emergência para conter o vírus ainda no dia 4 de fevereiro, antes da primeira confirmação de contágio e com foco nos cidadãos que regressavam da China, estados como Rio de Janeiro e São Paulo – principais afetados até agora – enrijeceram as ações sanitárias no dia 17 de março, apenas três após o país europeu. 

Sobre isso, o fotógrafo diz que viveu dias de preocupação na tentativa de alertar amigos e familiares sobre a seriedade do coronavírus.

“Eu mandei áudios, conversei sério com meus pais. Todo mundo sabia que era sério, mas era muito importante que as pessoas se adiantassem, porque todo mundo ainda olhava o vírus como uma coisa distante. Não é. O contágio é rápido e para chegar de um país para o outro é uma questão de poucos dias”, diz. 

Até o momento, o Brasil possui cerca de 3 mil casos confirmados oficialmente e distribuídos por todos os estados do país. A Espanha enfrenta agora o pico da doença, que já causou mais de 4.000 mortes por complicações do Covid-19, além do colapso no sistema de saúde – uma das  previsões do ministro Luiz Henrique Mandetta para o cenário brasileiro para o mês de abril. 

Necessária, quarentena representa desafios

Apesar disso, ele diz que uma das escolhas para aliviar o estresse e preocupação com a pandemia foi a de se afastar um pouco dos números sobre casos e mortes no país natal.

“Não nos ajuda em nada entrar em pânico e eu também não acredito na forma como os números são notificados no Brasil. O que eu e minha esposa temos feito é aumentar o contato com a família. Nós ligamos mais, conversamos mais. Estamos preocupados e estamos com saudades”, explica. 

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Ainda sobre o confinamento, Ivan – que está com sintomas de gripe e isolamento completo há pouco mais de uma semana – compartilha algumas atitudes que podem fazer diferença.

“Eu tenho cozinhado bastante, mais que o normal. Estou fazendo muitas fotos em casa como uma forma de escape pra minha mente e também gosto de desenhar. Acho que atividades assim são fundamentais nesse momento”, diz. 

A família também organizou um tipo de reunião para que algumas regras de convivência ficassem mais claras. “No primeiro momento estávamos com muito medo e estresse, o que acabou virando agressividade. Percebi que estávamos muito irritados com tudo, e foi preciso uma conversa séria sobre os espaços da casa”, conta. 

Os obstáculos da crise, porém, são vistas como um aprendizado importante em um momento em que há tanta necessidade de união e cuidado.”Nós sempre ficamos muito em casa, mas uma quarentena é diferente. É o maior aprendizado de convivência, quando é preciso muito mais respeito ao espaço e individualidade do outro. Eu tenho 38 anos e minha filha tem 12. São visões muito diferentes, verdades muito diferentes. É preciso muita sensibilidade”, finaliza.

Fonte: IG Mundo

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