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Felipe Bezerra

Quem é o mestre?

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Mamãe mandou eu escrever. Pra eu desestressar, segundo ela. Logo eu, mamãe? Um oceano de S-E-R-E-N-I-D-A-D-E. (“Você, filho, sereno? Qua-qua-qua-qua…”)

E eu, a princípio, como quem não quer nada, queria escrever que os dentes do Bolsonaro se parecem com chips de Fandangos. Só que meu vô Dezinho, pai de mamãe, pode ficar preocupado. Eu sei que vai. Conheço o véio. Ele, aposto!, vai ficar com medo de que o presidente-que-tem-dente-de-Fandangos me leia e acabe brigando comigo.

Melhor evitar.

Bom, acho que vou escrever sobre a música “The Last Dragon”. É. “The Last Dragon”. Conhecem “The Last Dragon”? Foi a trilha da luta final, épica!, entre o mocinho Bruce Leroy e o vilão Sho’nuff, o Shogun do Harlem (“Muito bem, Leroy! Quem é o único mestre?”) no filme “O Último Dragão”, cráááássico dos anos oitenta.

O hit em questão, a marmanjada vai se lembrar, marca a virada que culmina na vitória de Leroy (“Eu sou… Eu sou… HAHAHAHA…”) sobre Shogun.

Na sequência, ainda ao som de “The Last Dragon”, Bruce – não o Lee, mas o Leeroy; Leeroy, tá? – consegue apanhar, nos dente!, uma bala disparada da arma do malvadão Eddie Arkadian. (Se os dentes do Leroy fossem de Fandangos, iguais aos de Bolsonaro, ele não segurava, não…)

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Eeeenfim. Essa música, interpretada por Dwight David – que nem sei quem é, irmão! –, ajudou a formar meu caráter na infância, entre o subúrbio do Irajá, no Rio de Janeiro, e a cidadezinha de Marapé, aqui no Espírito Santo, tão mítica quanto as cidadezinhas interioranas de Aguinaldo Silva nas novelas da década de noventa.

(Tinha um amigo do meu irmão Cris, o Júnior, que morava na mesma rua que a nossa, a Toropasso, que era quase o sósia do Taimak, ator que fez Bruce Leroy. Moleque, sempre cogitei a hipótese de o Júnior, que tenho dúvida se ele se chamava mesmo Júnior, não ter nascido nas imediações do Irajá, mas, sim, ter saído do tubo duma Telefunken qualquer…)

Era na Carolina Fraga, toda de pa-ra-le-le-pí-pe-do, que a garotada e eu brincávamos de lutinha após “O Último Dragão” passar, mais uma vez, na Sessão da Tarde, que a gente via na casa da Dona Maria, vó dos meus amigos Ulysses e do Thiaguinho, ali perto da pracinha da prefeitura de Marapé.

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Agora, sem Irajá, sem Marapé, sem minha infância, tenho apenas uma jornada para cumprir: alcançar novamente, e logo, meu coração – para sempre, amém e saravá!

“It’s time to leave my nest where you were born/ This journey you must make alone/ (Spread your wings and fly)/ There’s a power deep inside you, an inner strength/ You’ll find in time of need/ (The glow)”, assim me canta, a certa altura de minha caminhada, o intérprete de “The Last Dragon”.

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Felipe Bezerra

Sem Face e Insta (parte 1)

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Sem Face e Insta, eu tive a oportunidade de ver, da janela do ônibus, o contentamento – e o sorriso! – da moça que reencontrou seu amigo. Sem Face e Insta, sou o Carlton Banks fazendo aquela dancinha, sabe? Sem Face e Insta, enfim descobri o azul da cor do mar de Tim Maia. Sem Face e Insta, poderei voltar a tomar banho de chuva de verão. Agora, sem Face e Insta, o testemunha de Jeová não dará mais com a cara na porta de casa, domingo de manhã; eu vou atende-lo. Sem Face e Insta, finalmente aprendi o ABC do Santeiro. Sem Face e Insta, conseguirei saber quem, afinal, chamou Maria Bethania, em “Brincar de Viver”. Nunca precisei de Face e Insta pra saber – lá em 96, 97 – que Cidade de Deus é o maior barato. Muito antes do Face e do Insta, a batina do padre já tinha dendê. Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta, não um textão no Face. O livro de Gênesis é a prova inequívoca de que Deus dispensou o Face e o Insta pra divulgar a criação do mundo em sete dias. Sem Face e Insta, voltei a peidar, até.

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