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Política Estadual

Riscos na volta às aulas presenciais é tema de debate online na Ales nesta quinta (08)

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Representantes de estudantes, de pais de alunos, de trabalhadores da educação e das secretarias de Estado de Saúde (Sesa) e da Educação (Sedu) devem participar de audiência pública virtual para tratar da retomada das aulas presenciais nas redes pública e privada de ensino. Proposto pela Frente Parlamentar em Defesa do Cumprimento dos Planos Nacional e Estadual de Educação, o debate acontece nesta quinta-feira (8), às 10 horas, e pode ser acompanhado pelo canal da Assembleia Legislativa (Ales) no YouTube.

O debate com o tema “Volta às aulas em tempos de pandemia – riscos e consequências” foi proposto pela secretária-executiva da frente parlamentar, deputada Iriny Lopes (PT), que deve partilhar a mediação com o presidente do colegiado, deputado Sergio Majeski (PSB). As possíveis implicações e a opinião dos segmentos diretamente envolvidos na questão devem ser o foco da agenda.

Autorização

Na rede privada as atividades estão autorizadas desde o último dia 5; já as unidades da rede pública do Estado poderão retornar a partir de 13 de outubro. No caso da rede municipal, as prefeituras têm autonomia para definir se voltam ou não ao ensino presencial. O anúncio do fim das restrições para as aulas presenciais na Educação Básica nas redes de ensino Estadual, municipais e privada em municípios classificados como Risco Baixo de transmissão da Covid-19 foi feito pelo governador Renato Casagrande (PSB) no dia 25 de setembro. As normas sanitárias para retorno às salas de aula constam na Portaria Conjunta Sedu/Sesa Nº 01/R.

Convidados

Para o evento, foram convidados os secretários de Estado da Saúde, Nésio Fernandes de Medeiros Junior, e da Educação, Vitor de Angelo; a secretária-geral da Gestão Provisória da União dos Estudantes Secundaristas do Espírito Santo (Ueses), Kaliana Tolentino Lenzi Soares; o secretário-geral da Associação de Pais de Alunos do Espírito Santo (Assopaes), Aguiberto Oliveira de Lima; o representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sindiupes) Ildebrando Paranhos; e a representante do Comitê de Educação do Campo do Espírito Santo (Comeces) Maria do Carmo Paoliello.

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Política Estadual

Literatura no Espírito Santo

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Mesmo enfrentando dificuldades e desafios, a literatura produzida no Espírito Santo demonstra que tem voz, força e busca o seu espaço. O Dia Nacional da Leitura, celebrado nesta segunda-feira (12), é uma boa oportunidade para refletir sobre esse universo, que inclui, pelo menos, três personagens principais: o escritor, o livro e o leitor. A essa narrativa acrescentamos mais um elemento, o Espírito Santo. 

A reportagem da Web Ales conversou com profissionais do mercado literário, especialistas e escritores para entender que literatura é essa produzida em solo capixaba, quais os pontos fortes, os principais obstáculos e os novos significados para essa produção. O tema também é destaque em uma reportagem especial produzida para a TV Assembleia, que estreia na programação nesta quinta-feira (8), às 8h30, com reprise às 14 horas.

O Escritor

“A literatura é o sal da minha vida”. A escritora Bernadette Lyra não esconde a paixão por escrever e nem precisa. Com mais de 80 anos e uma carreira literária consolidada, Bernadette reúne elementos essenciais para quem quer conhecer melhor a literatura produzida no Estado: memória, inspiração, técnica e amor. 

De acordo com a visão da própria autora, a literatura local é forte e diversa, mas ainda enfrenta um problema central na distribuição, além do fechamento de livrarias, um fenômeno nacional que impacta todo o mercado do ramo. “O escritor tem de colocar o livro embaixo do braço e fazer o trabalho de distribuição”, conta Bernadette, para quem  o ofício exige esforço e técnica:

“Escrever dá trabalho. O escritor tem vida comum e um trabalho incomum. Nada de romantizar. É trabalho, é técnica. As pessoas me perguntam: ‘E a inspiração?’ Ela é uma partícula preciosa, dez por cento. O resto é trabalho”, sentencia. 

Para o especialista no assunto e também escritor Francisco Aurélio Ribeiro, atualmente é impossível saber quantos livros são publicados no Estado.

“Acompanhei o volume de publicação até o ano de 2016, quando tínhamos uma média de 300 novos livros publicados por ano. Hoje é impossível acompanhar esse número. É importante dizer que não temos apenas quantidade, mas, também, qualidade literária”, destaca Francisco Aurélio.

O Livro

A produção literária do Estado deu um salto a partir dos anos 90, quando se estabeleceu também um parque gráfico de qualidade. “Você vai notar, dez anos depois, um aumento não apenas das gráficas, mas, também, do produto livro. Hoje em dia você tem uma facilidade muito maior e uma qualidade que não deixa a desejar com relação aos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo”, pontua o escritor Anaximandro Amorim.

De acordo com o escritor e editor Saulo Ribeiro, “as grandes editoras não conseguem mais abraçar o país. Mas talvez o país também não queira ser abraçado ou, talvez, ele queira pequenos abraços. As pequenas iniciativas conseguem abraçar melhor o leitor, mas não conseguem se tornar uma iniciativa de massa. Esse é um dos novos caminhos da literatura no Brasil”. 

O mercado literário capixaba é formado por cerca de uma dezena de editoras de pequeno porte que desempenham um papel fundamental na dinâmica do ramo. 

Tiragens menores e um trabalho mais coletivo são elementos dessa nova forma de fazer a literatura circular. A distribuição, porém, continua sendo um desafio. “A distribuição é um ponto neural. E quando eu falo de distribuição não é só o livro chegar ao lugar, mas como que o livro vai ser conhecido e consumido por aquele leitor”, explica Saulo Ribeiro. 

O livro entrou na pauta econômica nacional este ano, mas não, necessariamente, isso é uma boa notícia. A reforma tributária proposta pelo Ministério da Economia pretende acabar com o benefício de isenção de dois impostos (PIS e Cofins) voltado para o mercado de livro. Sem a isenção, a cadeia produtiva do livro (desde o fabricante de papel até a venda do produto) vai ter de pagar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), uma alíquota de 12% proposta pelo governo federal. 

Para Saulo Ribeiro, a medida é um retrocesso no país. Ele rebate a ideia de que o livro é artigo de elite. “Em países com processos mais consistentes de leitura e de difusão, não apenas o livro conta com um subsídio, mas a própria atividade livreira. Ou seja, existe uma ajuda até para se manter uma livraria. O ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que livro é um produto da elite. Isso não é verdade. Nós que estamos no cotidiano do livro, sabemos que muita gente que compra o livro conta o dinheiro no final do mês e se aperta para comprar mais um”. 

Saulo defende que a isenção é fundamental para o mercado. “Um tipo de isenção é a do papel do livro. A outra é na venda final, a venda da livraria. A reforma tributária pretende atingir tanto a imunidade do papel como o livro vendido na livraria. Isso vai ter consequências desastrosas para um mercado que já passa por dificuldades. No lugar de uma política de incentivo para esse mercado, nós vamos ter uma pá de cal para sepultar o processo de difusão da leitura no país”, opina.

O Leitor

Quem escreve quer ser lido. O leitor é um personagem fundamental nessa história. Com anos de experiência de sala de aula na área de literatura, o professor Francisco Grijó, que também é escritor, destaca os desafios de tentar despertar o gosto literário para uma juventude cada vez mais conectada.