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Felipe Bezerra

Travessia nos Invernos

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“Escrever, portanto, é travessia nessa estação em que, muitas vezes, faltam-nos luz e direção”. A afirmação, embora pareça um verso extraído da canção “Travessia” (de Milton Nascimento e Fernando Brant), é da escritora e jornalista cachoeirense Claudia Sabadini.

A frase – que poderia, sim, caber na letra desse clássico da MPB – está impressa na página -9 ºC do mais novo livro de Claudia, “Invernos”, lançado em Cachoeiro de Itapemirim e em Vitória no mês de agosto.

Trata-se de uma coletânea de crônicas e contos, escritos ao longo dos últimos 10 anos e que marcam uma carreira literária que já soma 30 anos e cinco obras publicadas.

O livro é dividido em duas partes: Invernos Meus e Invernos dos Outros. “Na primeira parte, o leitor encontra o eu; na segunda, os outros; nas duas, depara com sujeitos em rota de mudança do estar no coletivo para o estar só, com seus desassossegos”, relata a professora Beatriz Fraga, que assina o prefácio e a revisão dos textos.

Já a concepção visual da obra é do designer gráfico Matheus Rocha, que traz uma proposta minimalista e icônica, convidando leitores e leitoras a uma imersão nos diversos invernos registrados – daí a numeração da página ser expressa em graus celsius negativos.

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O livro conta, ainda, com outras duas importantes contribuições: da secretária de Cultura e Turismo Fernanda Martins, que escreveu a orelha da obra, e da fotógrafa Márcia Leal, responsável pela foto de capa da autora. A impressão é da Gráfica Digrapel.

“Já não sonho, hoje faço/ Com meu braço o meu viver/ Solto a voz nas estradas/ Já não quero parar”. Os versos, embora pareçam extraídos do livro “Invernos”, são de Brant, parceiro musical de Milton e jornalista, tal como Claudia – ela que, em prosa e toda prosa, faz mais uma travessia literária.

Onde encontrar

“Invernos” está sendo vendido, em Cachoeiro, na Cafeteria Mourad’s, e na loja Artes no Sobrado, na Galeria Belas Artes. Em Vitória, pode ser encontrado no Trapiche Gamão, no centro, e na Cafeteria Jalan Jalan, na Praia do Canto. O livro custa R$ 30. Este é o quinto livro de Claudia Sabadini, que já lançou “Jornalismo Literário nas Crônicas de Guerra de Rubem Braga” (Cachoeiro Cult, 2012); “Memórias de um Benjamim: a história das rochas contada por um desbravador” (2013), biografia oficial do empresário do setor de rochas ornamentais Benjamin Zampirolli; “Seu Zezinho: a estrela eterna do Sumaré” (Cachoeiro Cult, 2015); e “Rochas do Espírito Santo: 60 anos fazendo história” (Cachoeiro Cult, 2017).

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Felipe Bezerra

Sem Face e Insta (parte 1)

Publicado

Sem Face e Insta, eu tive a oportunidade de ver, da janela do ônibus, o contentamento – e o sorriso! – da moça que reencontrou seu amigo. Sem Face e Insta, sou o Carlton Banks fazendo aquela dancinha, sabe? Sem Face e Insta, enfim descobri o azul da cor do mar de Tim Maia. Sem Face e Insta, poderei voltar a tomar banho de chuva de verão. Agora, sem Face e Insta, o testemunha de Jeová não dará mais com a cara na porta de casa, domingo de manhã; eu vou atende-lo. Sem Face e Insta, finalmente aprendi o ABC do Santeiro. Sem Face e Insta, conseguirei saber quem, afinal, chamou Maria Bethania, em “Brincar de Viver”. Nunca precisei de Face e Insta pra saber – lá em 96, 97 – que Cidade de Deus é o maior barato. Muito antes do Face e do Insta, a batina do padre já tinha dendê. Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta, não um textão no Face. O livro de Gênesis é a prova inequívoca de que Deus dispensou o Face e o Insta pra divulgar a criação do mundo em sete dias. Sem Face e Insta, voltei a peidar, até.

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