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Chuvas no Espírito Santo

Medo da Chuva

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Aprendi a ter medo da chuva neste fim de semana. Para ser exato, nesta sexta-feira dia 17 de janeiro de 2020, quando vi a cidade em que moro ser literalmente destruída por uma tromba d´água de grandes proporções. Não sobrou nada. Nenhum comerciante ficou ileso às águas que rolavam pelo Rio Iconha e se esparramaram pelas ruas principais da cidade.

Carros boiavam e eram escorados pelo que aparecesse pela frente. Geladeiras e bujões de gás boiando nas águas que destruíram Iconha. O prédio que pertencia a um vereador caiu. Edifício de três andares que veio abaixo, no qual um bar funcionava no térreo. Sorte que ninguém se machucou gravemente.

Ainda à noite, pessoas em casas que não foram afetadas pelas chuvas abriam as portas de suas residências para quem não tinha onde ficar. A Igreja de Santo Antônio, Matriz da Cidade, abriu-se para a pequena turba de desavisados, desabrigados e desalojados que ficaram sem ter onde ficar. Ficaram ou não tinham. Foi um Deus no acuda.

Noite escura, sem agonia presente, mas com uma dor pela ansiedade do dia chegar a ver os estragos impulsionados pelas chuvas e pelo Rio Iconha. Silêncio que aumentou com a queda da luz, que só era quebrado pelo carro de Defesa Civil do município que tentava ir onde podia. Um Deus nos acuda silencioso, em meio às orações que partiam de gente dos mais diferentes credos.

A chuva para! O silêncio aumenta e o esqueleto de Iconha surge com o raiar do dia. Já não há mais uma ponte que liga um ledo da cidade a outro. Já não existem mais ruas viáveis para trafegar. Há lama por toda a parte. Escombros. Rastros de destruição e, infelizmente, algumas mortes. Todos estão atônitos.

Lágrimas. Gritos. Destaque para quem começou tudo do zero, gastou tudo que tinha na abertura de um negócio e agora vai ter que dar uma nova virada de vida, desta vez sem capital. Perdeu tudo. Em um canto da Rua Muniz Freire, depois do baque inicial, cidadãos tentam se planejar para dar início a limpar os escombros do fim. Máquinas aparecem de outras cidades, auxílios de outras defesas civis de outras cidades, mas a dor não para.

Lembro-me vagamente da música do Raul Seixas na qual ele fala que tem medo chuva; ou melhor, que ele perdeu o medo da chuva. A música é sobre casamento, uma metáfora belíssima. Mas se a história fosse levada ao pé da letra, o maluco beleza faz menção ao fato de que a chuva voltando pra terra traz coisas do ar. Raul, você errou. Na chuva, pedras não ficam imóveis no mesmo lugar– até caminhões foram carregados pelas águas da Brumadinho capixaba; na chuva, aprende-se o grande segredo da vida: ser solidário e reerguer tudo que as águas destruíram. Por uma nova Iconha, Amém!

 

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Chuvas no Espírito Santo

Governo Federal repassa mais de R$ 640 mil para Vargem Alta recuperar danos da enchente

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O Governo Federal autorizou, no último dia 18 de março, o repasse de mais de R$ 640 mil de recursos para a prefeitura de Vargem Alta. A verba será destinada para restabelecer as estruturas danificadas pela maior enchente já registrada na história do município, ocorrida em 17 de janeiro deste ano.

Ao todo, serão repassados R$ 644.967,59 (seiscentos e quarenta e quatro mil novecentos e sessenta e sete reais e cinquenta e nove centavos), para a execução de serviços que irão recuperar seis pontes, das quais uma está localizada em Pombal, duas em São José de Fruteiras, uma em Taquarussu, uma em Pedra Branca, uma em Concórdia e ainda para a construção de um muro de gabião na calçada da Avenida Beira rio, no Centro.

“Foi uma força-tarefa. O Setor Municipal de Engenharia, juntamente com a Procuradoria, mobilizou os demais setores da Prefeitura para que pudessem encaminhar os dados para a composição do relatório. Assim, obtivemos os dados, condessamos em um balanço único e alimentamos o sistema da Defesa Civil, o S2id. Essa força-tarefa foi primordial para que o recurso fosse aprovado. As metas foram definidas, o plano de trabalho apresentado e agora será executado”, afirma a procuradora municipal, Priscila Siqueira Vargas.

O engenheiro civil da prefeitura, Geraldo Brunoro pontua a dedicação do chefe do Poder Executivo em todas as etapas para reconstruir a cidade.

“ Eu, a equipe do Setor de Engenharia e o prefeito João realizamos visitas periódicas em todos os empreendimentos públicos. Desde o primeiro momento da enchente ele se fez presente nas ações pontuais e nos trabalhos administrativos para angariar recursos que visam o reestabelecimento das pontes no município”, afirma.

Já o prefeito municipal, João Altoé, diz que está satisfeito em poder dar uma resposta à população em tão pouco tempo.

“Coordenamos de perto essa iniciativa para conseguir essa verba e estamos satisfeitos com o empenho de todos os servidores envolvidos e hoje Vargem Alta é o primeiro município capixaba atingido pelas fortes chuvas e o que mais conseguiu esses recursos com a Defesa Civil Nacional”, diz.

A portaria, publicada no Diário Oficial da União, é assinada pelo secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério do Desenvolvimento Regional, Alexandre Lucas Alves. Segundo o documento, a Administração terá 180 dias, contados a partir da publicação, para executar as obras.

Ao fim desse prazo, a prefeitura terá 30 dias para prestar contas.

Fonte: Prefeitura Municipal de Vargem Alta

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