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Opinião

“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”

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“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”, já cantava Renato Russo. E um episódio ocorrido nesta semana só mostra que o poeta do Legião estava coberto de razão. O caso  mostrou a doença da falta de empatia, de respeito e de sensibilidade. É um retrato dos nossos jovens? Espero sinceramente que não.

Bom, o tal do MC Gui – eu nem sabia quem era, até o caso vir à tona – humilha e filma uma criança que usava peruca. O desrespeito aconteceu em um trem, na Disney. A menina, notando as risadas dos amigos e do cantor, além da câmera do celular voltada para ela, tenta colocar o cabelo artificial no lugar e faz uma cara triste.

“Mano, olha isso.”

E dá risada. E os amigos dão risadas altas. Até que um deles, usou um pingo de sensibilidade e disse um :

“Para, Guilherme”.

Eu fiquei imaginando aquela garotinha, que aparentemente luta contra uma doença séria, dolorosa, triste, se arrumando para passear. Colocando a roupinha nova, a peruca que os pais compraram, se sentindo bem por poder sair e ver um mundo mágico. Imagino que ela estava feliz.

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Aí aparece o tal do MC Gui. Ele a entristece, tira dela um momento de alegria em meio à dor.

“Ah! Ele é jovem, apenas errou”, alguém pode dizer.

Não. Ele é um rapaz que cometeu um abuso contra uma criança. Ele tirou dela momentos preciosos de alegria, de felicidade. E nada, nada do que ele disser vai mudar isso.

Mas, como dizem, a emenda pode ficar pior do que o soneto. Claro que o rapaz se desculpou. Levou pedrada atrás de pedrada, tinha mais é que fazer isso mesmo. Negando que cometeu o tal do bullying, apenas estava comparando a garotinha à Boo, personagem do filme Monstros S.A., o tal MC solta essa:

“A internet tá muito chata. Não posso postar nada. Estou na Disney, estou de férias, não preciso ficar me explicando por algo que eu não fiz, mas, infelizmente, essa é a internet que a gente tá usando hoje e é assim que funciona”.

A internet não está chata, rapaz. Você é que perdeu a noção do certo e do errado!

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Chuvas no Espírito Santo

Medo da Chuva

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Aprendi a ter medo da chuva neste fim de semana. Para ser exato, nesta sexta-feira dia 17 de janeiro de 2020, quando vi a cidade em que moro ser literalmente destruída por uma tromba d´água de grandes proporções. Não sobrou nada. Nenhum comerciante ficou ileso às águas que rolavam pelo Rio Iconha e se esparramaram pelas ruas principais da cidade.

Carros boiavam e eram escorados pelo que aparecesse pela frente. Geladeiras e bujões de gás boiando nas águas que destruíram Iconha. O prédio que pertencia a um vereador caiu. Edifício de três andares que veio abaixo, no qual um bar funcionava no térreo. Sorte que ninguém se machucou gravemente.

Ainda à noite, pessoas em casas que não foram afetadas pelas chuvas abriam as portas de suas residências para quem não tinha onde ficar. A Igreja de Santo Antônio, Matriz da Cidade, abriu-se para a pequena turba de desavisados, desabrigados e desalojados que ficaram sem ter onde ficar. Ficaram ou não tinham. Foi um Deus no acuda.

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Noite escura, sem agonia presente, mas com uma dor pela ansiedade do dia chegar a ver os estragos impulsionados pelas chuvas e pelo Rio Iconha. Silêncio que aumentou com a queda da luz, que só era quebrado pelo carro de Defesa Civil do município que tentava ir onde podia. Um Deus nos acuda silencioso, em meio às orações que partiam de gente dos mais diferentes credos.

A chuva para! O silêncio aumenta e o esqueleto de Iconha surge com o raiar do dia. Já não há mais uma ponte que liga um ledo da cidade a outro. Já não existem mais ruas viáveis para trafegar. Há lama por toda a parte. Escombros. Rastros de destruição e, infelizmente, algumas mortes. Todos estão atônitos.

Lágrimas. Gritos. Destaque para quem começou tudo do zero, gastou tudo que tinha na abertura de um negócio e agora vai ter que dar uma nova virada de vida, desta vez sem capital. Perdeu tudo. Em um canto da Rua Muniz Freire, depois do baque inicial, cidadãos tentam se planejar para dar início a limpar os escombros do fim. Máquinas aparecem de outras cidades, auxílios de outras defesas civis de outras cidades, mas a dor não para.

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Lembro-me vagamente da música do Raul Seixas na qual ele fala que tem medo chuva; ou melhor, que ele perdeu o medo da chuva. A música é sobre casamento, uma metáfora belíssima. Mas se a história fosse levada ao pé da letra, o maluco beleza faz menção ao fato de que a chuva voltando pra terra traz coisas do ar. Raul, você errou. Na chuva, pedras não ficam imóveis no mesmo lugar– até caminhões foram carregados pelas águas da Brumadinho capixaba; na chuva, aprende-se o grande segredo da vida: ser solidário e reerguer tudo que as águas destruíram. Por uma nova Iconha, Amém!

 

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