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Tiago Turini

Opinião | Com UTIs lotadas e recorde de mortes, vereadores de Cachoeiro fazem politicagem em cima da tragédia da Covid-19

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Reprodução - Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim

Os vereadores de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, irão votar o Projeto de Lei de nº 17/2021, protocolado pelo vereador Juninho da Cofril (PL) com apoio da maioria dos demais edis, que transforma todas as atividades econômicas lícitas da cidade em serviços essenciais, para impedir lockdowns em crises pandêmicas. (Link para projeto de lei ao fim do artigo).

O Projeto visa fazer um aceno aos comerciantes, que marcaram uma manifestação pacífica na tarde de hoje (23) para pedir a abertura do comércio no município.

Tal proposta tem como único objetivo deixar o prefeito Victor Coelho na condição de vilão junto aos comerciantes e trabalhadores da cidade, já que tal proposta politiqueira só enxerga cifrões e claramente ignora a tragédia da Covid-19 no município, no ES, no Brasil e no mundo.

Até o momento Cachoeiro já contabilizou 370 mortos e quase 20 mil casos confirmados de Covid-19, sendo a quinta cidade do ES em número de mortos, de acordo com o Painel Covid-19 do Governo do ES. Quase 100% dos leitos da cidade estão ocupados, mas para os vereadores isso não quer dizer nada e devemos seguir a vida normalmente enquanto enterramos os mortos, já que na letra fria, eles acabam virando apenas números e estatísticas.

O sistema de saúde da cidade já opera próximo do seu limite devido ao número de casos que não para de crescer, mas para os vereadores o importante é fingir que estão do lado do comerciante e do trabalhador, jogando-os à própria sorte, ao invés de propor leis que auxiliem empresários e trabalhadores, como revisões tributárias nesse período ou como o município de Serra fez, aprovando um auxílio emergencial municipal para a população.

Se amanhã o comerciante, trabalhador ou cliente precisar de um hospital ou de remédios para tratar a Covid e não encontrar leitos para o tratamento, os mesmos políticos que hoje querem as pessoas nas ruas, irão se eximir de suas responsabilidades e novamente farão politicagem dizendo que tal situação é culpa do prefeito, do governador, do Papa, etc…

Infelizmente o Brasil vêm mantendo uma média diária de aproximadamente três mil mortos, quase um 11 de Setembro por dia, mas para os vereadores de Cachoeiro, cuja maioria segue as ideias negacionistas do presidente da República, parece que está tudo normal.

O Espírito Santo já registra sete cepas diferentes do vírus circulando, sendo duas das mais contagiosas e letais, mas isso não parece ter importância… Parece que o importante para a Câmara Municipal é fazer média e passar a responsabilidade para o prefeito, que certamente seguirá a razão e vetará tal proposta politiqueira, pois entende que o momento é de salvar vidas, porque enquanto as mortes e as ocupações hospitalares não diminuírem, não existirá normalidade.

A verdade é uma só: todo mundo já se cansou de quarentenas, lockdowns e demais restrições impostas pela pandemia, mas só sairemos desse caos sanitário e econômico, após todos estiverem vacinados.

Tivesse o Governo Federal comprado vacinas com antecedência nas diversas oportunidades que teve, incentivado o povo a seguir os protocolos internacionais para diminuir a disseminação do vírus, ao invés de incentivar aglomerações e apostar em supostos medicamentos milagrosos amplamente descartados pela comunidade científica mundial, um ano após o início da pandemia já estaríamos vacinando brasileiros em ritmo acelerado e já estaríamos saindo desse fundo do poço.

Em carta aberta divulgada por economistas brasileiros esta semana, onde cobram ações do Governo Federal na condução da pandemia, os números mostram que no ritmo atual levaremos três anos para vacinar todos os brasileiros, mas a nossa sorte é que o presidente tem uma nova solução milagrosa, um spray nasal em fase de testes em Israel.

Enquanto isso na Nova Zelândia, país que seguiu todas as determinações da Organização Mundial de Saúde (OMS) contra o novo Coronavírus desde o primeiro caso confirmado em seu território e tratou de adquirir o máximo de vacinas possíveis assim que ficaram disponíveis no mercado, a vida já voltou ao normal, com churrascos entre vizinhos sem máscaras, shows lotados, economia 100% ativa e crescendo.

Já no Brasil, os que se dizem patriotas contam quase 300 mil brasileiros mortos, continuam ignorando a realidade, apostando nas mesmas imbecilidades que já deram errado em outas ocasiões e não se importam se outros 300 mil brasileiros possam vir a morrer. De acordo com as mais recentes projeções, o país pode ter 640 mil mortos até outubro deste ano se continuarmos neste caminho.

Um patriota de verdade defende a vida de seu povo a qualquer custo, nem que seja ao custo da economia. Gente que não se importa com 3 mil brasileiros morrendo diariamente nem de longe é um patriota.

Essa narrativa criada pelo presidente, onde supostamente há um conflito entre economia e vidas salvas, é falaciosa e populista, porque vidas não tem preço e o Governo Federal tinha totais condições de garantir incentivos tributários e renda, para empresários e trabalhadores, mas a incompetência e o populismo circense digital do presidente, que só tem interesse em agradar uma parte de seu eleitorado, o impede de usar a caneta, afinal de contas, ele não pode fazer nada porque não é coveiro, então devemos seguir nossas vidas normalmente e quem tiver que morrer para a economia não parar, que morra.

Há em curso no Brasil uma inversão de valores em discursos populistas e negacionistas que está custando vidas de nossos compatriotas, onde os políticos que defendem ações para conter o vírus e salvar vidas são os vilões enquanto quem trabalha em conjunto com a doença, promove aglomerações, falsas curas, nega a realidade e amplia a disseminação do vírus é quem é o bonzinho patriota. Quando o povo vai acordar?

Projeto de Lei 17/2021

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Tiago Turini

Opinião | Na política se faz o que se pode e Casagrande tem feito o possível

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Secretário de Saúde Nésio Fernandes e governador Renato Casagrande

O sucesso do governador capixaba Renato Casagrande (PSB) na gestão da pandemia está no número de pessoas que ele desagrada. A democracia não é sobre vencer, mas sobre ceder em prol do coletivo. Se apenas um grupo se beneficia, não é democracia.

É óbvio que os números não estão bons, mas temos um presidente da república nagacionista e sabotador à frente do Governo Federal, em um estado extremamente Bolsonarista como o ES, com parte da população que escolheu correr o risco de matar seus entes “queridos”.

O governador comunicou-se com clareza em todos os momentos que vivemos na pandemia e agiu de maneira eficiente até o momento. A clareza e segurança de Casagrande e do seu secretário de Saúde, Nésio Fernandes, são uma ilha de lucidez nesse país dividido, mas com 294 mil mortos para ambos os lados.

Na política se faz o que se pode e no cenário atual, foi feito o melhor possível no Espírito Santo.

Quarentena ou lockdown sempre foram as últimas medidas a serem tomadas para salvar vidas e aliviar a pressão do sistema público de saúde, quando esgotadas todas as outras.

Hoje a ocupação de leitos na rede pública do ES chega aos 93%, enquanto na rede particular… Bem, a rede particular já está solicitando leitos para a rede pública do ES…

Quarentena é medida dura, mas necessária para preservar a maior riqueza do nosso estado, as vidas dos capixabas. Quarentena é medida dura para salvar a minha vida, a sua, a de um parente seu, um amigo.

Políticos egoístas aproveitam o momento de crise global para fazer politicagem com conspirações e fake news, tudo para tentar aparecer em um momento de profunda tristeza para quase 300 mil famílias brasileiras.

Tivesse o Governo Federal seguido as determinações da OMS desde o início da pandemia, corrido atrás de comprar vacinas desde que os primeiros resultados positivos dos testes começaram a surgir, ou ao menos tivesse criado um gabinete de crise para articular medidas para salvar vidas de brasileiros, hoje não viveríamos essa tragédia. Preferiram bravatas, fake news e supostos remédios milagrosos que já foram amplamente descartados por estudos.

A responsabilidade pelos quase 300 mil brasileiros mortos até agora tem nome e sobrenome e ocupa um Palácio em Brasília. Mas não é só dele, mas sim de todos que reproduzem suas insanidades, como se todo o planeta sempre estivesse errado e só o político que diversas vezes durante sua campanha eleitoral afirmou não entender nada de economia e saúde, é quem estivesse correto em seu universo paralelo de grupos de Whatsapp e demais redes sociais. Gente que o tempo todo diz ser patriota e amar o povo brasileiro, mas não mede esforços para fugir de suas responsabilidades, criar cortinas de fumaça e culpar terceiros pelas mazelas que muitas vezes ele mesmo causa.

Nesse cenário de mortes, insanidades, crimes e fake news, é fácil entender porque o Governador Casagrande se destaca nacionalmente no combate a Covid-19 e faz do ES um dos estados que melhor combatem esse vírus. Essa é a realidade que os politiqueiros e o gabinete do ódio tentam ignorar enquanto criam uma narrativa falsa para projetar políticos oportunistas e mentiras absurdas no momento em que quase 3 mil brasileiros morrem por dia.

Essa gente “de bem”, esses supostos “patriotas” que não ligam para as mortes de seu próprio povo têm muito sangue nas mãos.

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